Governo estadual e Ministério Público adotaram a medida após moradores denunciarem que pessoas fora do grupo prioritário foram vacinadas em municípios goianos.
O Ministério Público de Goiás (MP-GO) terá acesso ao cadastro de pessoas vacinadas contra a Covid-19 no estado, a partir desta sexta-feira (22), para cruzar os dados de quem recebeu a dose da CoronaVac com os nomes de quem está na lista do grupo prioritário nesta primeira etapa a fim de identificar as “furadas de fila” na campanha de imunização.
A colaboração entre o governo goiano, que detém o cadastro, e o MP, que vai investigar, foi definida em reunião no Palácio das Esmeraldas.
Os dois poderes adotaram a medida após moradores de cidades goianas denunciarem que pessoas fora do grupo prioritário foram vacinadas nesta etapa da campanha.
A investigação do MP, no entanto, pode demorar algum tempo para começar, já que o sistema usado para formar o cadastro pertence ao Ministério da Saúde e enfrenta instabilidade no momento em que os municípios inserem os dados das pessoas vacinadas na plataforma, segundo a Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO).
O G1 pediu posicionamento ao Ministério da Saúde nesta sexta, por e-mail, sobre a instabilidade da plataforma “S-PNI módulo Covid-19” e a manutenção do sistema e aguarda retorno.
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Após a reunião o governador Ronaldo Caiado (DEM) revelou que repassou determinação ao secretário Estadual de Saúde para que o MP tenha acesso aos dados do sistema do Plano Nacional de Imunização.
“Podemos fazer o cruzamento [de dados] e ver quais pessoas foram vacinadas fora dos critérios estipulados pelo Ministério da Saúde”, destacou Caiado.
O procurador-geral de Justiça do MP, Aylton Flávio Vechhi, explicou que o órgão vai investigar se os critérios do plano de imunização estão sendo respeitados, a partir do acesso aos dados.
“Com o acesso ao cadastro de vacinados, nós teremos condição de verificar se a ordem foi respeitada e, onde não foi respeitada, teremos a possibilidade de imputação do crime de abuso de autoridade, cuja pena é inclusive de reclusão”, afirmou Vechi.
Com a instabilidade no sistema, a SES-GO ainda não conseguiu finalizar um balanço com o quantitativo de pessoas vacinadas no estado.
O Ministério Público abriu um canal para denúncias de desvio de vacinas por meio do MP Cidadão ou pelo telefone 127. Segundo o órgão, quem desrespeitar as regras estabelecidas pelo Ministério da Saúde poderá ser responsabilizado por improbidade administrativa e infração sanitária. As penalidades poderão ser aplicadas em todas as pessoas incluídas na irregularidade.
Em Goiânia, um total de 4.166 pessoas já foram vacinadas, restando agora 25,994 doses a serem aplicadas, como anunciou a Secretaria Municipal na quinta-feira (21).
A vacinação deve continuar sábado (23) e há previsão de aplicar a segunda dose dentro de três semanas. Ao todo, 3.358 profissionais de saúde foram vacinados, além de 628 idosos em 25 abrigos.
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Denúncias de “furada de fila”
Ao menos três cidades goianas aplicaram dose da CoranaVac em pessoas fora dos critérios definidos pelo Ministério da Saúde. Mas o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Goiás (Cosems) alerta para casos de subnotificação no estado.
Uma dentista que não integra o grupo prioritário foi vacinada na quinta-feira (21), em Santa Helena de Goiás, no sudoeste do estado, e postou a foto da imunização em rede social.
Em Pires do Rio, no sudeste de Goiás, o secretário municipal de Saúde, Assis Silva, admitiu que vacinou a própria esposa contra a Covid-19 mesmo sem ela pertencer ao grupo que deve ser priorizado nesta primeira fase da imunização.
“Foi com intuito de resguardar e preservar a saúde e a vida da mulher da minha vida. Sou capaz de dar minha própria vida por ela”, afirmou o secretário.
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Instabilidade do sistema
A SES-GO explicou que em relação aos dados de doses aplicadas, os municípios devem registrar as informações no S-PNI Covid-19, sistema disponibilizado pelo Ministério da Saúde para cadastro nacional. Essa ferramenta já está disponível, mas apresenta instabilidades que dificultam a alimentação pelas cidades.
A partir desse registro, os dados poderão ser acessados na internet, que reúne as informações sobre a Campanha Nacional de Vacinação contra a Covid-19. Por meio da ferramenta é possível realizar a busca por Estado, com recortes por município. Entretanto, com a instabilidade do S-PNI Covid-19, as informações da plataforma estão desatualizadas.
Em Goiás, a SES-GO disse que trabalha para integrar ao Painel Covid-19 estadual os dados do PNI sobre as vacinas aplicadas, no nível de detalhamento que for possível.
Fonte: G1 | https://cutt.ly/cjZdQ0t