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Hospital Sagrado Coração de Jesus sofre intervenção judicial e Dr. Natan e Elisa da Saúde são afastados por suspeitas de desvios financeiros

O desembargador Altamiro Garcia Filho viu “elementos probatórios que apontam para graves irregularidades administrativas, confusão patrimonial e utilização indevida de recursos da associação em benefício pessoal do agravado e de sua companheira”.

O desembargador Altamiro Garcia Filho do Tribunal de Justiça de Goiás determinou o imediato afastamento do médico Natan Francisco de Carvalho, diretor geral do Hospital Sagrado Coração de Jesus (HSCJ) e também de sua companheira, a ex-candidata a prefeita de Nerópolis, Elisa Maria Rosa, conhecida como Elisa da Saúde.

A decisão vem a partir de um processo que investiga o uso indevido de recursos financeiros do hospital, que é gerido por uma associação sem fins lucrativos e que recebe dinheiro do SUS, para o pagamento de contas pessoais dele e dela.

Entre as provas estão dezenas de comprovantes de pagamentos de contas pessoais e até mesmo transferências para aquisição de bens de Elisa da Saúde e de Natan Francisco com identificação das contas do hospital. Na prática, o casal usaria o dinheiro da entidade para manter seu padrão de vida.

Momento da chegada do interventor Stenius Lacerda e sua equipe na unidade hospitalar

O desembargador Altamiro Garcia Filho viu “elementos probatórios que apontam para graves irregularidades administrativas, confusão patrimonial e utilização indevida de recursos da associação em benefício pessoal do agravado e de sua companheira”.

A ex-vereadora e ex-candidata a prefeita de Nerópolis, Elisa Maria Caetano Rosa, a Elisa da Saúde, se apresentava como diretora da unidade embora este cargo não seja previsto no estatuto da associação. Elisa também costuma fazer uso político da unidade hospitalar, gravando vídeos com ameaças de fechamento do atendimento pelo Sistema Único de Saúde. Ela perdeu a eleição para o atual prefeito, Dr. Luiz, a quem faz oposição.

Agora, tanto ela quanto Natan são apontados como beneficiários de um esquema de pagamentos de contas pessoais de ambos com o dinheiro do hospital.

“Os elementos constantes nos autos indicam a existência de atos que podem contrariar os interesses da entidade e comprometer parcialmente sua saúde financeira e sua função social”, declarou o magistrado.

A motivação para a intervenção judicial e o afastamento do médico do comando da unidade se dá pelo fato de a unidade ser a única porta de entrada do atendimento de pronto-socorro pelo SUS em Nerópolis. É do dinheiro público federal repassado pela prefeitura que vem a principal receita o hospital. A verba vai para a conta usada nas transferências feitas pelo casal para pagamento de compromissos pessoais, conforme as provas apresentadas no processo.

O hospital também é gerido por uma associação em que o regimento interno deixa claro que as atividades não possuem fins lucrativos.  

INTERVENTOR

O interventor chegou na manhã desta quarta-feira (12) no hospital e causou alvoroço na unidade. O administrador Stenius Lacerda Bastos ficará ao menos seis meses no comando do hospital. Junto com uma equipe técnica, o administrador fará uma auditoria para identificar o passivo e o ativo financeiro, bem como a comprovação do uso do dinheiro da associação para pagamento de contas pessoais.

Stenius Bastos terá, ainda conforme despacho do desembargador, de apresentar um relatório preliminar da situação financeira do hospital e “demais fatos que o perito judicial entender relevante”