“A saída abrupta do auxiliar, antes da conclusão do diagnóstico que ele mesmo iniciou, causaria prejuízo irreparável ao processo e à entidade”, decide juíza ao manter interventor em unidade

A repentina decisão do interventor judicial Stenius Lacerda Bastos em anunciar em suas redes sociais a saída da administração do Hospital Sagrado Coração de Jesus (HSCJ) de Nerópolis não caiu nada bem para a Justiça de Goiás. Bastos anunciou sua saída emitindo opiniões pessoais sobre o processo, comentando dados sigilosos e até mesmo indicando um “sucessor”. Tudo isto sem anuência da juíza Liliam Margareth Ferreira.
A reação da magistrada foi rápida e transparente quanto ao desejo da Justiça de Goiás em esclarecer as fortes suspeitas de desvios de verbas do hospital para as contas pessoais de Natha Francisco de Carvalho, ex-diretor do HSCJ.
De início, a juíza afastou qualquer acesso do tesoureiro indicado por Stenius para tomar o seu lugar – que foi eu desejo manifesto – para “garantir a isenção da auditoria e evitar a influência do grupo político do réu afastado”. Além disto, Liliam Margareth determinou a permanência de Stenius Bastos no cargo “até o cumprimento integral das seguintes condições, indispensáveis para a transição segura”.
A magistrada cobrou ainda a apresentação de Laudo de Auditoria composto por relatório da Auditoria Contábil, Financeira e Patrimonial, e também de Relatório de Novos Fatos, indicando os incidentes recentes, como a “suposta invasão e atos de resistência de funcionários”.
A juíza também manteve os prazos para que réu e autor apresentem documentação necessária e eventual defesa, no caso de Nathan Carvalho. Ela também manteve o calendário para a conclusão de todos os laudos demandados ao interventor judicial.