
O número de consumidores inadimplentes em Goiânia cresceu 9,89% em dezembro de 2025 na comparação com o mesmo mês de 2024, segundo levantamento do SPC Brasil com base de dados da CDL Goiânia. O avanço ficou acima da média do Centro-Oeste, de 8,07%, e ligeiramente abaixo do índice nacional, que registrou alta de 10,17% no período.
Na passagem de novembro para dezembro, o contingente de devedores na capital goiana aumentou 1,49%. O movimento acompanha o cenário nacional, que encerrou o ano com 73,49 milhões de consumidores negativados.
Para a superintendente da CDL Goiânia, Hélia Gonçalves, os dados indicam um quadro de pressão financeira persistente sobre as famílias. Segundo ela, a inadimplência segue sendo influenciada por um ambiente de crédito mais caro e por um orçamento doméstico ainda comprometido. “O crescimento acima da média regional mostra que o consumidor de Goiânia sentiu de forma mais intensa o peso dos juros elevados e da recomposição lenta da renda real ao longo de 2025”, afirma.
Endividamento concentrado em valores menores
Em dezembro de 2025, cada consumidor negativado em Goiânia devia, em média, R$ 5.853,79 na soma de todas as dívidas. Apesar do valor médio elevado, uma parcela relevante das pendências está concentrada em faixas menores. Do total de inadimplentes, 26,89% tinham dívidas de até R$ 500, percentual que sobe para 38,68% quando consideradas dívidas de até R$ 1.000.
O tempo médio de atraso dos devedores negativados na cidade chegou a 29,5 meses. Os dados mostram que 36,08% dos consumidores inadimplentes acumulam dívidas entre um e três anos.
O dado revela dificuldades estruturais de regularização, segundo a CDL Goiânia. “Quando a inadimplência se prolonga por tanto tempo, ela deixa de ser apenas conjuntural e passa a refletir um desequilíbrio mais profundo entre renda, consumo e custo do crédito”, pontua Hélia.
Bancos lideram participação nas dívidas
O setor bancário concentrou a maior fatia das dívidas em dezembro, com 61,91% do total registrado em Goiânia. Na sequência aparecem outros segmentos, com 18,08%, água e luz, com 8,97%, comércio, com 5,75%, e comunicação, com 5,29%.
O número médio de dívidas por consumidor inadimplente na capital foi de 2,318 em dezembro de 2025. O indicador ficou abaixo da média do Centro-Oeste, de 2,357 dívidas por pessoa, e acima da média nacional, que foi de 2,237.