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Um ano após prisão por esquema de corrupção em Secretaria, caso de Geyci da Saúde vive limbo judicial

A vereadora do PL foi presa por liderar um esquema de corrupção que teriam desviados R$ 1,5 milhão da Saúde, através do uso de empresas de fachada em nome de laranjas e até mesmo analfabetos

Há exatamente um ano, em 28 de janeiro de 2025, a cidade de Nerópolis, na região metropolitana de Goiânia, foi abalada por uma operação policial que resultou na prisão de uma de suas vereadoras, Geyciane Rosa de Oliveira (PL), conhecida como “Geyci da Saúde”.

A acusação, liderada pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO), era grave: chefiar uma organização criminosa que teria desviado até R$ 1,5 milhão dos cofres da saúde municipal

Hoje, um ano depois, o caso que começou com grande repercussão se encontra em um compasso de espera, marcado por uma reviravolta judicial que transferiu o processo para a esfera federal e deixou um rastro de incertezas.

A operação, batizada de “Abstersio”, foi deflagrada em uma ação conjunta do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) com as polícias Civil e Militar. Na ocasião, foram cumpridos 22 mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva contra a vereadora, que havia sido eleita em 2024 com 631 votos

O Ministério Público sustentava que Geyciane, servidora pública desde 2017 e ex-secretária de Saúde, orquestrava um esquema de fraude em licitações que operava desde aquele ano. A investigação apontava para a criação de ao menos sete empresas de microempreendedores individuais (MEIs), registradas em nome de familiares e “laranjas”, para simular a prestação de serviços à secretaria.

Contratos de consultoria, palestras e treinamentos eram firmados por meio de dispensa de licitação, e a suspeita era de que muitos dos serviços sequer foram executados

Um dos detalhes mais chocantes revelados na época foi a descoberta de que uma pessoa não alfabetizada constava como vencedora de uma concorrência para representar o município junto à Central de Medicamentos de Alto Custo e para preparar cuidadores de pacientes acamados.

REVIRAVOLTA

Contudo, o caso sofreu uma reviravolta significativa em julho de 2025. A defesa da vereadora, comandada pelo escritório do ex-senador Demóstenes Torres, obteve uma vitória crucial no Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO).

A 2ª Câmara Criminal, em decisão unânime, acatou o argumento de que o juízo estadual era incompetente para julgar o caso, uma vez que o esquema envolvia verbas federais do Sistema Único de Saúde (SUS)

Com isso, o tribunal indicou a nulidade de 182 das 189 acusações formuladas pelo MP-GO, e o processo foi remetido para a Justiça Federal. A decisão foi um balde de água fria na acusação e fortaleceu a tese da defesa, que desde o início alegava a inocência da vereadora.

Geyciane, que fora solta no dia seguinte à sua prisão com a concordância do próprio Ministério Público, nunca teve seu mandato interrompido

Um ano após a operação que expôs as fragilidades no controle de gastos públicos de Nerópolis durante a Gestão de Gil Tavares (Republicanos), a população local ainda aguarda um desfecho. A transferência do caso para a esfera federal deu início a um novo capítulo processual, e a expectativa da defesa é que todos os atos anteriores sejam anulados, abrindo caminho para o reconhecimento da inocência da vereadora. Para a sociedade, permanece a pergunta sobre se as graves acusações iniciais se sustentarão sob o escrutínio de uma nova jurisdição ou se o caso se perderá em meio a trâmites burocráticos, sem uma resposta definitiva sobre o desvio de recursos da saúde.