
Moradores de um condomínio localizado no bairro Residencial Brisas do Cerrado, em Goiânia, denunciaram uma sequência de mortes e intoxicações envolvendo animais de estimação, especialmente gatos. O caso passou a ser investigado após registros de óbitos com sinais compatíveis com envenenamento e mobilizou a administração do residencial e órgãos de proteção animal.
De acordo com a síndica do condomínio, Mariana Souza Rodrigues, as primeiras suspeitas surgiram em dezembro de 2025, quando um gato que circulava pelas áreas comuns foi encontrado morto. Inicialmente, moradores foram informados de que o animal estaria doente, já que era o único gato de rua do local. No entanto, no dia seguinte, uma moradora comunicou à administração a morte de sua gata, chamada Pipoca, que apresentava sintomas como vômito intenso e dilatação das pupilas.
Diante da semelhança entre os casos, um boletim de ocorrência foi registrado pela tutora do animal. Poucos dias depois, em 19 de dezembro, outro morador relatou que seu cachorro apresentou mal-estar após possível ingestão de substância tóxica. O animal foi atendido por um veterinário, que levantou a suspeita de intoxicação.
Já em 2025, segundo a síndica, ao menos outros quatro episódios semelhantes foram registrados dentro do condomínio. A administração informou que buscou orientação junto ao Grupo de Proteção Animal, responsável por apurar crimes de maus-tratos contra animais, e seguiu os procedimentos indicados pelas autoridades.
Os gatos que morreram foram encaminhados para exames periciais. Conforme relatado pela síndica, laudos preliminares indicaram indícios de intoxicação por envenenamento. A confirmação definitiva, no entanto, depende dos resultados dos exames toxicológicos e necroscópicos.
A delegada Simelli Lemes, titular do Grupo de Proteção Animal, informou que a equipe esteve no local para levantamento inicial e que o caso segue em investigação. Segundo ela, há sinais compatíveis com envenenamento nos corpos dos animais analisados pelo Instituto Médico Legal, mas a conclusão depende da finalização dos laudos técnicos.
A delegada explicou ainda que, caso a prática de envenenamento seja confirmada e a autoria identificada, o responsável poderá ser indiciado por crime de maus-tratos. Em situações envolvendo animais domésticos, a legislação prevê pena de até cinco anos de reclusão. Para casos envolvendo animais de grande porte, a pena é de até um ano de prisão.