
O acesso ao banho diário não integra a rotina de centenas de pessoas em situação de rua em Goiânia. Sem uma estrutura pública suficiente para atender à demanda, a higiene pessoal passa a depender de alternativas improvisadas, como o uso de córregos da Capital para banho e lavagem de roupas. A prática expõe essa população a riscos recorrentes e evidencia limitações no atendimento, enquanto poder público e sociedade civil apresentam abordagens distintas sobre o enfrentamento do problema.
A realização da higiene, nesses casos, envolve o deslocamento até margens de córregos e a descida por barrancos. Em pontos como os córregos Botafogo e Cascavel, as pessoas utilizam a água disponível como única alternativa para limpeza do corpo e de vestimentas. Durante o período chuvoso, o risco aumenta devido às chamadas “cabeças d’água”, quando o volume dos córregos se eleva de forma repentina e intensa, com potencial de arrastar quem estiver no local ou nas proximidades.
Goiânia registrou episódios recentes de mortes de pessoas levadas pela correnteza enquanto utilizavam bicas ou áreas próximas aos córregos. Há relatos de tentativas de resgate com uso de cordas e estruturas de contenção instaladas nas marginais, mas a força da água dificulta a retirada. Em alguns casos, os corpos são localizados a quilômetros de distância do ponto inicial, o que reforça a dimensão do risco enfrentado por quem utiliza esses espaços de forma improvisada.
O principal equipamento público destinado a esse atendimento é o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP). A unidade está localizada a cerca de 1,2 quilômetro da Região da 44 e da Praça do Trabalhador e oferece acesso a banho, lavanderia e outros serviços básicos. Apesar disso, usuários relatam limitações no acesso e dificuldades para utilização regular da estrutura disponível.