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Ataque de onça a criança na Chapada levanta alerta sobre impactos ambientais

O ataque de uma onça-parda a uma menina de 8 anos na região da Chapada dos Veadeiros reacendeu o debate sobre os impactos ambientais no Cerrado e os riscos da aproximação entre humanos e grandes predadores. O caso aconteceu no dia 14 de maio, no Santuário Volta da Serra, em Alto Paraíso de Goiás, enquanto a família retornava de uma trilha de acesso à Cachoeira do Cordovil. 

Segundo relatos, o animal estava em cima de uma árvore e saltou sobre a criança, atingindo principalmente o rosto da menina. Os pais e um funcionário do local conseguiram interromper o ataque usando uma mochila para espantar o felino, que fugiu para a mata. A vítima recebeu atendimento inicial em Alto Paraíso e, posteriormente, foi transferida para o Hospital Regional da Asa Norte (Hran), em Brasília, onde passou por cirurgia plástica e segue internada em estado estável.

Apesar da repercussão, o analista ambiental Luís Neves, explicou que o incidente não ocorreu dentro da unidade de conservação administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). “O incidente foi num atrativo particular chamado Cachoeira do Cordovil, na Fazenda Volta da Serra. Não foi dentro da área do parque nacional”, afirmou. 

Segundo ele, também não existem registros semelhantes na região. “Conversei com várias pessoas e ninguém aqui na Chapada nunca ouviu falar de ataque de onça a pessoas”, destacou. 

Neves explicou ainda que o parque possui um sistema de gestão de segurança baseado em normas da ABNT e que qualquer ocorrência registrada dentro da unidade precisa ser formalizada pela concessionária responsável pelas operações turísticas.

Mesmo sendo considerado um episódio raro, o comportamento do animal chamou atenção dos especialistas porque o salto vindo da árvore pode indicar um movimento típico de caça. Pesquisadores reforçam, no entanto, que isso não significa que onças tenham passado a enxergar humanos como presas habituais.

Segundo o biólogo Hélcio Marques Júnior, ataques de grandes felinos geralmente acontecem em circunstâncias excepcionais, como fome extrema, proximidade excessiva ou alterações severas no ambiente natural.

De acordo com o pesquisador, a redução da disponibilidade de alimento no Cerrado pode favorecer a aproximação desses animais de áreas urbanas e turísticas. “Quando há diminuição das presas naturais, os felinos ampliam suas áreas de deslocamento em busca de recursos. Isso aumenta a chance de encontros com humanos”, explica. 

Além disso, ele afirma que queimadas, desmatamento e expansão urbana provocam fragmentação do habitat e dificultam a circulação das onças em corredores ecológicos.

O especialista também alerta que crianças podem ser vistas como mais vulneráveis em determinadas situações devido ao porte físico reduzido e aos movimentos rápidos. Ainda assim, ele reforça que crianças não são alvos naturais dos felinos. “São circunstâncias específicas e extremamente raras”, pontua.