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Nova vacina contra pneumonia chega a Goiânia em meio ao aumento das doenças respiratórias em Goiás

A chegada da nova vacina pneumocócica 20-valente (VPC20) às unidades de saúde de Goiânia ocorre em um momento de alerta para as doenças respiratórias em Goiás. Enquanto a capital amplia a proteção contra infecções causadas pelo pneumococo, o Estado enfrenta um cenário preocupante marcado pelo crescimento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), principalmente entre crianças pequenas.

A vacina começou a ser disponibilizada neste mês nas mais de 60 salas de vacinação da capital após ser incorporada pelo Ministério da Saúde ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). O imunizante protege contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por doenças como pneumonia bacteriana, meningite, sepse, sinusite e otite.

A ampliação da cobertura vacinal ocorre em meio ao avanço das doenças respiratórias no Estado. Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), já foram registrados 4.539 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave em 2026. Do total, 1.793 foram causados por outros vírus respiratórios, 429 por Influenza e 72 por Covid-19.

Crianças pequenas concentram os casos mais graves

Embora a pneumonia não seja uma doença de notificação compulsória e, por isso, não possua monitoramento específico pela vigilância epidemiológica estadual, os números de SRAG ajudam a dimensionar o impacto das infecções respiratórias graves sobre a população infantil.

Os dados da SES-GO mostram que as crianças menores de 2 anos representam a faixa etária mais afetada pelos casos graves. Somente neste grupo foram registrados 1.101 casos de SRAG provocados por outros vírus respiratórios, além de 81 casos associados à Influenza, 462 classificados como SRAG não especificada e 267 ainda em investigação.

A preocupação com o avanço das doenças respiratórias levou o Governo de Goiás a decretar situação de emergência em saúde pública neste ano. Em balanço anterior divulgado pela secretaria, os bebês de até dois anos concentravam cerca de 42% de todos os casos de SRAG registrados no Estado.

Especialistas alertam que crianças pequenas possuem sistema imunológico ainda em desenvolvimento e estão mais suscetíveis a complicações decorrentes de infecções respiratórias, especialmente durante os meses mais frios e secos do ano.

Vacina amplia proteção contra doenças graves

A nova vacina pneumocócica representa um avanço importante na prevenção de doenças potencialmente graves. Segundo a gerente de Imunização da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia, Nayara Ferreira, o imunizante amplia a proteção justamente contra os sorotipos da bactéria associados a hospitalizações e mortes.

“A bactéria pneumococo pode causar desde infecções leves até quadros graves, como meningite e sepse, principalmente em crianças menores de cinco anos, idosos e pessoas imunossuprimidas. A vacina amplia a cobertura para sorotipos que hoje têm grande circulação e potencial de causar hospitalizações”, destaca.

Estudos do Ministério da Saúde apontam que a incorporação das vacinas pneumocócicas ao calendário vacinal contribuiu para uma redução superior a 65% dos casos de meningite pneumocócica em crianças menores de dois anos.

Além da proteção individual, a imunização ajuda a reduzir a circulação da bactéria na comunidade e diminui o risco de complicações associadas às doenças respiratórias.

Baixa cobertura vacinal preocupa autoridades

A chegada da nova vacina ocorre em um contexto de baixa adesão às campanhas de imunização. Dados da SES-GO mostram que a cobertura vacinal contra a gripe entre os grupos prioritários está em apenas 34,78%, bem abaixo da meta de 90% estabelecida pelo Ministério da Saúde.

Entre as crianças, a cobertura é ainda menor e chega a 24,74%. O cenário preocupa as autoridades sanitárias, que associam a baixa vacinação ao aumento dos casos graves de doenças respiratórias.

Recentemente, Goiânia e Aparecida de Goiânia ampliaram a vacinação contra a gripe para toda a população a partir dos seis meses de idade, numa tentativa de aumentar a proteção da população antes do período de maior circulação dos vírus respiratórios.