
A investigação sobre a morte do jornalista Delson Carlos Henrique de Lima Barros, de 52 anos, ganhou novos desdobramentos após surgirem relatos de que a suspeita do crime também teria destruído o apartamento onde a ocorrência foi registrada e matado o cão de estimação da vítima.
Enquanto a Justiça manteve a prisão preventiva da empresária, advogada e cirurgiã-dentista Renata de Almeida Pedreira e Sousa, de 56 anos, a Polícia Civil segue reunindo provas para esclarecer a dinâmica dos fatos, a motivação do crime e todas as circunstâncias que envolveram a ocorrência registrada na noite de sexta-feira, 24 de julho, no Setor Bueno, em Goiânia.
O que já se sabe sobre o caso
As informações sobre a destruição do imóvel foram relatadas por um policial militar que participou da ocorrência e por uma testemunha que acompanhou parte da movimentação no condomínio. Segundo esses relatos, Renata permaneceu por várias horas sozinha dentro do apartamento após o homicídio.
Durante esse período, teria quebrado diversos objetos e arremessado equipamentos pela sacada, entre eles uma televisão e um notebook. A testemunha também afirmou que o cão de estimação de Delson foi morto durante a confusão. Posteriormente, a Polícia Militar confirmou a morte do animal, enquanto a Polícia Civil ainda apura as circunstâncias do caso.
Ainda conforme os relatos, antes de se isolar no apartamento, a suspeita foi vista segurando uma faca. A companheira de Renata, Márcia Maria Carolli, que apresentava um ferimento no ombro, permaneceu do lado de fora do imóvel após a porta ser fechada. Testemunhas disseram ainda que o cão chegou a sair do apartamento durante a confusão, entrou no elevador do prédio e retornou ao imóvel pouco depois.
Segundo a Polícia Militar, Delson estava no apartamento com Renata e Márcia, onde os três consumiam bebidas alcoólicas. Durante um desentendimento, o jornalista teria ferido Márcia com uma faca. Na sequência, Renata teria tomado a arma e atingido Delson com golpes de faca. O processo também aponta que a própria companheira da investigada sofreu novas lesões durante a ocorrência.
Mesmo ferido, Delson conseguiu sair do apartamento e caminhar até o corredor do quinto andar, onde caiu. Equipes de resgate foram acionadas, mas o jornalista morreu antes de receber atendimento.
Após o crime, Renata se trancou em outro apartamento do edifício e permaneceu no local por cerca de quatro horas. A Polícia Militar isolou o condomínio e acionou equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), que iniciaram negociações para convencê-la a se entregar.
Conforme a corporação, a mulher apresentava comportamento compatível com um quadro de crise e fazia ameaças contra a própria vida. Como não houve rendição, os policiais realizaram uma entrada tática utilizando dispositivos de distração. Depois de ser contida, Renata recebeu atendimento médico e foi encaminhada sob custódia ao Hospital Estadual de Urgências de Goiás Dr. Valdemiro Cruz, diz a polícia.
No sábado (25), a juíza Telma Aparecida Alves negou o pedido de habeas corpus e manteve a prisão preventiva da investigada. Na decisão, a magistrada destacou a gravidade do crime e observou que, apesar de Renata não possuir condenações definitivas, existem registros anteriores relacionados a estelionato, difamação, injúria e calúnia, circunstâncias consideradas na análise do risco à ordem pública.
A Defensoria Pública informou que não irá comentar o caso. Já o Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CRO-GO) afirmou, por meio de nota, que acompanha a investigação e permanece à disposição das autoridades para colaborar dentro de suas atribuições.