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Médica é demitida de maternidade em Goiânia após mensagem sobre pacientes petistas

A médica ginecologista e obstetra Marcella Segato de Sousa Melo foi demitida do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, em Goiânia, após enviar mensagens em um grupo de WhatsApp de profissionais da unidade sugerindo que pacientes não recebessem alta hospitalar por serem, segundo ela, majoritariamente simpatizantes do Partido dos Trabalhadores (PT). A informação foi divulgada nesta quinta-feira (8) pelo g1 Goiás.

O episódio ocorreu às vésperas do primeiro turno das eleições de 2026 e provocou repercussão após a divulgação de capturas de tela da conversa. A médica havia sido afastada das atividades antes da confirmação do desligamento.

Segundo informações publicadas pelo g1 e pelo Mais Goiás, a mensagem foi enviada em 2 de outubro, dois dias antes da votação. No texto, a profissional escreveu: “Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta para ninguém, a maioria é petista”. A conversa recebeu reações de outros participantes do grupo, e um deles respondeu: “Combinado”.

Médica pediu desculpas após repercussão

Após a divulgação das mensagens, Marcella pediu desculpas às pacientes, aos familiares, aos colegas de profissão, aos estudantes e ao hospital.

Em nota, a médica afirmou que o conteúdo enviado no grupo privado não se transformou em conduta profissional inadequada. Ela negou que alguma paciente tenha permanecido internada ou tido a alta negada por causa de suas preferências políticas.

Segundo a profissional, todas as pacientes foram avaliadas e liberadas exclusivamente com base em critérios clínicos.

A médica também declarou que atua na realização de partos desde 2017 e que, ao longo da carreira, atendeu mulheres com diferentes origens e convicções.

Hospital reforça atendimento sem discriminação

A administração da Maternidade Célia Câmara informou que as mensagens representavam manifestações pessoais e não refletiam o posicionamento institucional.

O hospital ressaltou que decisões sobre internação, permanência hospitalar e alta devem seguir critérios clínicos, técnicos, éticos e de segurança do paciente, independentemente de convicções políticas, religiosas ou ideológicas.

A instituição também afirmou que não compactua com qualquer forma de discriminação e lamentou o episódio, apresentando desculpas às pessoas que possam ter se sentido atingidas.

A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia informou que adotou medidas administrativas para apurar a conduta e reforçou às equipes a necessidade de garantir atendimento ético, adequado e respeitoso a todos os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

Cremego apura denúncia

O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou que denúncias relacionadas à conduta ética de médicos são apuradas sob sigilo.

O conselho também afirmou que solicita esclarecimentos ao responsável técnico pela instituição envolvida, conforme os procedimentos aplicáveis.

A apuração ética é independente das medidas administrativas adotadas pelo hospital.

Não há confirmação de pacientes prejudicadas

Até a publicação das reportagens consultadas, não havia confirmação de que alguma paciente tivesse tido a alta atrasada ou negada em razão de posicionamento político.

Marcella negou que isso tenha ocorrido e afirmou que todas as decisões foram tomadas com base em critérios clínicos. A manifestação de um participante do grupo em resposta à mensagem, por si só, não comprova que a orientação tenha sido colocada em prática.

O caso ganhou repercussão por envolver a possibilidade de interferência política em decisões de atendimento de uma unidade pública de saúde, onde os cuidados devem ser prestados de maneira igualitária e conforme as necessidades clínicas de cada paciente.


Por: Portalgo