Enquanto alguns elogiam a introdução de uma segunda classificação, outros criticam o aumento das sessões competitivas e como isso pode aumentar número de lesões
A introdução de um novo formato de fim de semana na MotoGP a partir de 2027 foi o tema principal das entrevistas com os pilotos no dia de mídia pré-GP da Indonésia, com o grid bem dividido sobre o tema.
Leia também:”É uma moto de Moto2 com um bom motor”: Pilotos da MotoGP dão veredito sobre nova 850cc após testesGP da Indonésia de MotoGP: Horários e como assistir à etapa de Mandalika, com MoreiraMotoGP confirma mudanças no formato dos finais de semana de 2027
A MotoGP confirmou uma mudança importante no formato a partir do próximo ano. O destaque é uma classificação específica para a sprint na tarde de sexta, com todos os pilotos indo à pista em uma sessão de 15min. O mesmo se repetirá no quali do sábado, com os treinos livres deixando de formar o grupo de 10 que avança direto para o Q2.
A maioria dos pilotos concordou que a mudança aumentará sua carga de trabalho e o estresse, embora houvesse nuances importantes entre as considerações de uns e de outros.
Pecco Bagnaia é uma das principais vozes do grid quando o assunto é segurança, sendo um de poucos pilotos a participar toda semana das reuniões da Comissão de Segurança, junto de Carmelo e Carlos Ezpeleta, CEO e vice-CEO da categoria.
O italiano da Ducati inclusive aproveitou o momento para citar novamente a baixa adesão dos pilotos às reuniões para justificar seu ponto de vista.
“Se, em vez de quatro, fôssemos 20 pilotos, poderíamos ter influenciado a decisão”, disse. “Mas, sendo tão poucos, é muito difícil.
“Gosto [da mudança]; acho que está certo. Acho que é uma melhoria, embora o que eu não goste seja o fim do aquecimento no domingo. Seria bom mantê-lo. Sempre pedimos duas sessões de qualificação. Duas sessões, não apenas uma; então, para mim, está bom”.
“Nós quatro que estávamos lá [na reunião da Comissão em Motegi] conversamos sobre o assunto, tudo ficou claro e entendemos os motivos; simplesmente pedimos para incluir o aquecimento”.
O outro lado da moeda foi expresso por Pedro Acosta, que na próxima temporada substituirá Bagnaia na equipe oficial da Ducati, e que se mostrou muito mais insatisfeito do que o italiano.
“Não importa o que achamos, não nos deram escolha. Impuseram isso, sem mais nem menos. Se você pegar a lista de pilotos do grid, tente encontrar quatro que não tenham se lesionado durante todo o ano. São poucos, muito poucos os que não tiveram nenhuma lesão”.
“Não sei se eliminar o aquecimento, quando você sofreu uma queda no sábado, é uma boa ideia; não sei se colocar 22 pilotos em uma única sessão de qualificação de 15 minutos é uma boa ideia. Já temos treinos suficientes nos quais nos arriscamos muito, sem precisar acrescentar mais um e manter todas as corridas sprint”.
“Acho que todos nós deveríamos relaxar um pouco com esse assunto, porque a carreira esportiva dos pilotos está ficando cada vez mais curta”, observou o piloto da KTM, que justamente culpou correria das sextas-feiras pelas suas ausências nas reuniões da Comissão de Segurança:
“Não vou porque não dá tempo. Temos cada vez mais coisas e mais estresse, e acho que deveríamos seguir na direção contrária; parar um pouco e pensar que o piloto precisa se acalmar, porque, daqui (aponta para a cabeça), não estamos muito bem”.
Para Acosta, uma boa solução seria reduzir o número de sprints, à semelhança do que ocorre na F1 – em 2027 haverá dez corridas curtas –, de onde veio a ideia das duas classificações.
“Poderíamos ter metade das sprints (11), porque todos sabemos em quais circuitos há show e em quais não há”.
Pedro Acosta, Red Bull KTM Factory Racing
Foto de: Gold and Goose Photography / LAT Images / via Getty Images
“A decisão foi tomada entre o campeonato e as equipes; nós, pilotos, não tivemos voz alguma. Você aceita porque é assim que as coisas são. Mas isso aumenta muito os momentos de risco durante o fim de semana. Cada vez mais exigem de nós. É o novo campeonato, e você aceita ou sai”, disse Alex Márquez.
“Não gosto muito disso, porque, no fim das contas, são 22 corridas, 22 sprints e duas sessões de qualificação por fim de semana. Já não concordávamos em ter que disputar tantas corridas, sempre quisemos reduzir o número de sprints pela metade, ou menos. Mas nada vai mudar, por mais que reclamemos”, acrescentou o piloto da Gresini.
Fabio Quartararo também não está muito satisfeito com as novidades. Na próxima temporada, ele muda da Yamaha para a Honda e ainda não pôde testar nem as novas motos de 850cc, nem os pneus Pirelli que entrarão em cena.
“Com motos novas e pneus novos, adicionar minutos extras não é a melhor ideia. Se quisermos seguir o exemplo da F1, por exemplo, poderíamos observar quantos minutos eles passam na pista. Eles não ficam rodando o tempo todo, como fazemos agora”, lembrou.
“Se você acrescentar, digamos, mais 30 minutos, vamos levar as coisas com mais calma. Acho que seria bom ter uma hora, especialmente no TL2 [que será de 30 minutos de duração]. De qualquer forma, será igual para todos, então, para mim, não é um problema ter mais uma sessão de qualificação”.
Outro dos pilotos que frequentam a Comissão de Segurança é Luca Marini: “É uma proposta das equipes para melhorar ainda mais o espetáculo e tentar ganhar popularidade. E acho que, no fim das contas, pode ser uma mudança positiva”, disse o italiano.
“Ter duas sessões de classificação é algo que vínhamos pedindo desde que a sprint foi introduzida. Então, é interessante. Sinto que estamos fazendo as coisas certas para que a MotoGP cresça. Espero que os fãs também gostem e entendam que esse esporte a motor é o melhor do mundo”.
O FUTURO de DIOGO deve vir à tona na 5ª! MARC x MARTÍN x BEZZECCHI no Japão, GP DO BRASIL, Bulega campeão
Ouça a versão em áudio do PÓDIO CAST:
Seu navegador não suporta o elemento de áudio.
ACOMPANHE NOSSO PODCAST GRATUITAMENTE:
SpotifyDeezer Amazon Music
Participe do nosso canal no WhatsApp: clique aqui e junte-se a nós no aplicativo!
Por: Motorsport.uol