O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reconheceu nesta quarta-feira (7) que houve planejamento de um golpe de Estado no fim do governo Jair Bolsonaro. Em entrevista ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha, o dirigente sustentou, porém, que a discussão não deveria ser punida sem a execução ou tentativa do ato.
Questionado se admitia a existência do plano, respondeu: “Não tenha dúvidas. Quantos planejamentos você não faz e vê que depois ‘que está errado’ e para no meio?”.
A declaração se refere à articulação investigada após a derrota de Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2022, cujo objetivo, segundo a investigação, era impedir a posse do presidente eleito.
Dirigente é questionado sobre governo de Flávio
Os entrevistadores também perguntaram se Valdemar poderia assegurar que uma articulação semelhante não aconteceria em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência.
“Sei lá, sei lá. Pode haver planejamento, não existe isso. Isso deu certo? Olha o Bolsonaro o que tá pagando? Você acha que alguém quer fazer isso? Nunca, jamais”, respondeu.
Na fala, o presidente do partido inicialmente admitiu a possibilidade de planejamento e, em seguida, afirmou que ninguém desejaria repetir a iniciativa diante das consequências para Bolsonaro.
Defesa de anistia
Valdemar também defendeu anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e disse querer a libertação dos militares que considera presos injustamente.
Ao justificar sua posição, comparou o planejamento de um golpe ao de um assassinato e argumentou que, sem execução ou tentativa, não haveria crime.
“Tudo bem, discutiram de dar o golpe, mas não deram o golpe, e daí?”, declarou.
Essa é a interpretação apresentada pelo dirigente. O STF condenou Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por cinco crimes, entre eles golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A Corte considerou o ex-presidente líder da organização criminosa envolvida na articulação.
A investigação também analisou o plano “Punhal Verde e Amarelo”, que, segundo a Polícia Federal, previa ações contra Lula, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes. Os investigadores apontaram ainda o monitoramento do ministro por militares em dezembro de 2022.
Por: francesnews.com.br