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Deputados começam articulações de candidaturas para presidir a Alego

Deputados começam articulações de candidaturas para presidir a Alego

Com chegada de 19 novatos, Bruno Peixoto deve influenciar escolha do sucessor, enquanto nomes de diferentes partidos se movimentam para comandar a Assembleia no próximo biênio

por Bruno Goulart em

Cairo Salim, Paulo Cezar Martins, Eduardo Prado e Lissauer Vieira são alguns dos nomes cotados. Fotos: Hellenn Reis e Denise Xavier/Alego

Bruno Goulart

A disputa pela presidência da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) para o próximo biênio já movimenta os bastidores políticos, embora os parlamentares ainda evitem assumir publicamente uma candidatura. Com a eleição de 2026 para a Alego concluída, nomes como Issy Quinan, Cairo Salim, Paulo Cezar Martins e Charles Bento, do MDB; Delegado Eduardo Prado e Lissauer Vieira, do PL; Wilde Cambão e Virmondes Cruvinel, do União Brasil; e Paulo do Vale, do PSD, aparecem entre os cotados para comandar o Legislativo estadual. A definição, porém, depende da formação das bancadas, das conversas entre os deputados eleitos e, principalmente, da capacidade de construir uma maioria dentro da Casa.

O atual presidente da Alego, Bruno Peixoto (União Brasil), eleito deputado federal, também participa das articulações para a sucessão. Nos bastidores, a intenção é fazer com que um nome de sua confiança assuma o comando da Assembleia. Isso porque o chefe do Legislativo estadual pretende disputar a Prefeitura de Goiânia no futuro e, por isso, busca preservar sua influência sobre o grupo de deputados estaduais.

A escolha do sucessor também tem peso para o governador reeleito Daniel Vilela (MDB). Com uma nova composição na Assembleia, o emedebista precisará de um presidente capaz de manter o diálogo com a base governista e garantir condições políticas para a tramitação de projetos de interesse do Executivo. Nesse cenário, um comando alinhado ao Palácio das Esmeraldas tende a ser decisivo para evitar o comprometimento da agenda do governo.

Apesar das movimentações, os deputados ressaltam ao O HOJE que ainda não há uma candidatura consolidada. O deputado estadual Paulo Cezar Martins (MDB), que busca espaço na disputa, afirma que já começou a conversar com os colegas. “Estamos pedindo voto, conversando com os colegas, mas ainda não falei sobre o tema com o governador”, declara. 

Ex-presidente da Alego e agora deputado estadual eleito, Lissauer Vieira (PL), por sua vez, afirma que as conversas ainda não avançaram para uma articulação formal em torno da presidência. Segundo o deputado, a prioridade neste momento é a eleição do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL). “Muito precoce ainda falar sobre presidência da Alego. Temos conversado com os parlamentares, mas a conversa é no intuito de parabenizar a todos e criar bancada. Nada ainda gestado para presidência”, afirma ao O HOJE. 

Já Cairo Salim (MDB), que está no terceiro mandato, afirma reunir experiência para presidir o Legislativo. O deputado, no entanto, considera prematuro definir candidaturas, diante da chegada de 19 novos parlamentares à Casa. “Temos de seis a oito deputados com interesse de disputar a presidência”, diz à reportagem. Para o parlamentar, o processo deve começar pela escuta dos eleitos e pela construção de um grupo capaz de sustentar a gestão Daniel. Salim também afirma que Vilela não deve fazer indicações para a presidência. “Na minha opinião, Daniel não deve indicar ninguém. Deve acolher o que os deputados indicarem, obviamente, que não seja oposição a ele”, declara.

Por outro lado, o deputado estadual Delegado Eduardo Prado (PL) confirma ao O HOJE que vai disputar a presidência e declara contar com o apoio de Bruno Peixoto. “Eu sou candidato a presidente também. Tenho apoio de Bruno Peixoto para minha candidatura. Sou líder do segundo maior partido da Assembleia, o PL. Então, estamos construindo isso aí para eu ser o presidente”, afirma. 

O presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Romário Policarpo (PRD), é outro nome ventilado, mas há um obstáculo político: Policarpo integra o grupo de novatos da Alego, o que pode dificultar o avanço do nome.

Análise

Para o mestre em História e especialista em Políticas Públicas Tiago Zancopé, o próximo presidente da Casa terá de lidar com divisões políticas e discutir o tamanho da estrutura administrativa do Legislativo. O analista questiona a manutenção do atual modelo, que reúne cerca de 6 mil comissionados. “O próximo presidente, inevitavelmente, vai ter que desfazer um pouco dessa maximização que o Bruno [Peixoto] fez”, avalia Zancopé ao O HOJE. 

Outro desafio será administrar as diferentes correntes políticas que estarão representadas na Assembleia. De acordo com Zancopé, o PL deverá chegar dividido entre parlamentares ligados ao senador eleito Gustavo Gayer, mais próximos de Caiado e Daniel Vilela, e aqueles alinhados ao grupo do senador Wilder Morais, que disputou o governo estadual e terminou a corrida ao Palácio das Esmeraldas no segundo lugar. 

Essa divisão poderá interferir nas votações e na formação de alianças para a Mesa Diretora. O PT, por sua vez, deverá manter a oposição, com uma atuação potencialmente mais incisiva, enquanto o PSDB, com o deputado reeleito Gustavo Sebba, deve chegar envergonhado na nova legislatura após a derrota do partido nas urnas. (Especial para O HOJE)

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Por: ohoje.com