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Procuradores suspeitam que áudio de Vorcaro sobre Lula tenha sido gravado ilegalmente para uso eleitoral

Procuradores familiarizados com as investigações envolvendo o Banco Master suspeitam que o áudio em que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro faz acusações relacionadas a um suposto financiamento do documentário sobre o presidente Lula tenha sido gravado ilegalmente enquanto ele estava preso e posteriormente divulgado com finalidade eleitoral.

A informação foi publicada nesta sexta-feira (9) pela jornalista Mônica Bergamo, em sua coluna na Folha de S.Paulo. Segundo o relato, integrantes do Ministério Público que acompanham o caso avaliam que a gravação pode ter ocorrido na unidade prisional conhecida como Papudinha, em Brasília, onde Vorcaro está detido.

Caso o registro tenha sido realizado dentro da prisão por meio de celular ou gravador levado por uma visita, a gravação teria ocorrido em desacordo com as regras de segurança da unidade, segundo a publicação.

O áudio foi divulgado anteriormente pela revista Veja. Nele, Vorcaro afirma ter tratado com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto sobre pagamentos relacionados ao acesso a fundos de pensão de servidores federais. O ex-banqueiro também diz que R$ 30 milhões teriam sido destinados ao filme Lula, dirigido pelo cineasta Oliver Stone.

As afirmações de Vorcaro não foram comprovadas.

A equipe responsável pelo documentário nega ter solicitado ou recebido recursos do ex-banqueiro e afirma que não tinha conhecimento da suposta operação mencionada na gravação.

A campanha de Lula também contesta o conteúdo do áudio, levantou a possibilidade de adulteração e acionou a Polícia Federal para que a origem e a integridade do material sejam investigadas.

Defesa também questiona origem da gravação

De acordo com a coluna de Mônica Bergamo, integrantes da própria equipe de defesa de Vorcaro também demonstram desconfiança sobre a forma como o áudio foi produzido.

Parte dos advogados acredita que a gravação pode ter sido realizada ilegalmente antes de sua divulgação e tornada pública apenas durante a campanha eleitoral. Entre as hipóteses consideradas estão um eventual registro feito por agentes públicos, integrantes da defesa ou alguma visita que tenha conseguido contornar os controles de segurança da prisão.

A publicação ressalta que essas possibilidades ainda são objeto de suspeita e não há, até o momento, indicação conclusiva sobre quem teria realizado a gravação.

Enquanto Vorcaro esteve sob custódia da Polícia Federal, seus advogados tinham acesso a equipamentos eletrônicos utilizados para registrar conversas relacionadas às negociações de uma eventual colaboração premiada. Já na Papudinha, segundo a reportagem, também existem conversas realizadas por vídeo que poderiam, em tese, ser registradas.

Conteúdo não teria integrado proposta de delação

Outro ponto destacado pela coluna é que a acusação envolvendo o suposto financiamento do documentário sobre Lula não teria integrado formalmente as propostas de colaboração premiada apresentadas por Vorcaro.

Segundo procuradores e integrantes da defesa ouvidos pela jornalista, nenhum áudio com esse conteúdo teria sido entregue à Procuradoria-Geral da República.

Advogados disseram ainda que Vorcaro teria mencionado, em conversas, supostas contribuições para produções audiovisuais sobre Jair Bolsonaro, Michel Temer e Lula. Entretanto, segundo eles, o ex-banqueiro não teria apresentado detalhes ou provas suficientes sobre essas alegações, motivo pelo qual o assunto não teria sido incluído nas propostas de delação.

A Polícia Federal também já afirmou que Vorcaro não prestou depoimento nem apresentou documentos, durante as tratativas de colaboração, relacionados ao suposto financiamento do filme sobre Lula.

Em nota citada pela Folha, a PGR afirmou que não houve depoimento oral de Vorcaro porque a proposta de colaboração premiada foi rejeitada e destacou que o procedimento é protegido por sigilo legal.

As circunstâncias em que o áudio divulgado foi produzido, assim como a autenticidade integral da gravação e as acusações feitas por Vorcaro, permanecem sob questionamento.

Por: Portalgo