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Uma obra pode ser considerada total se for capaz de ter não apenas uma imagem que será referenciada por toda a eternidade, mas também uma influência estética e temática imperecível. Mesmo em algo como a ficção científica, que em sua tendência de olhar para o futuro pode acabar ficando um pouco presa no tempo, suas ideias podem perdurar.

9 de agosto de 1991
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2h 04min
Katsuhiro Ôtomo
Mitsuo Iwata,
Nozomu Sasaki,
Mami Koyama
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Costumam perdurar mais as imagens do que as ideias, porque as primeiras podem ser descontextualizadas mais facilmente (vem à mente como Jogador Nº 1 vomitava referências na tela sem pé nem cabeça). Mas um mangá e um filme como Akira passam muito bem pela passagem do tempo porque sua estética impecável está conectada ao seu conteúdo potente.
Akira: Uma energia imparável
O clássico de Katsuhiro Ôtomo, no qual ele próprio dirige a adaptação audiovisual do seu próprio mangá magistral, continua sendo uma das melhores obras de ficção científica e ação da história, e um ponto de virada claro para o anime em nível global. Um filme que faz seu enésimo retorno às salas de cinema em uma versão remasterizada.
Toho
Na reformulada Neo-Tóquio do ano de 2019, a cidade decadente dominada por gangues de rua e pela opressão militar se aproxima cada vez mais do seu colapso. Nesse contexto, um projeto científico secreto vem trabalhando para criar uma força energética imparável que seja a arma definitiva, mas que sairá progressivamente do seu controle quando Tetsuo, membro de uma gangue de motoqueiros, obtiver esse poder e começar a perder o controle dele.
Ôtomo se mostra muito inteligente na hora de abordar o filme, esquivando-se de problemas esperados de um autor adaptando o próprio trabalho para outro meio. Não peca por ser autoindulgente, impondo uma fidelidade exata e impossível ao que já havia escrito, mas sabe se reinterpretar para contar a mesma coisa de uma maneira também apropriada, especialmente para o formato escolhido.
Toho
Akira: uma reinterpretação magistral
Aqueles já familiarizados com o mangá original sentirão falta de muitos detalhes e tramas, que são condensados em um filme de duas horas, mas Ôtomo faz um ótimo trabalho de filtragem e de compreensão das diferenças entre os meios. E também consegue explorar lugares que não podia originalmente, incluindo a forma como retrata fabulosamente essa Neo-Tóquio completamente distópica.
Por: Adorocinema