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Vereadora pede suspensão de 1.663 vagas de Agente Educativo do concurso de Aparecida de Goiânia

Vereadora pede suspensão de 1.663 vagas de Agente Educativo do concurso de Aparecida de Goiânia

Representação ao MP-GO questiona atribuições previstas no edital e aponta possível exercício de funções docentes

por Renata Ferraz em

Foto: Claudivino Antunes

A vereadora de Goiânia Kátia (PT) pediu ao Ministério Público de Goiás (MP-GO) a suspensão de 1.663 vagas imediatas para Agente Educativo previstas no concurso da Prefeitura de Aparecida de Goiânia. Protocolada na quarta-feira (7), a representação questiona as atribuições do cargo e aponta que algumas podem caracterizar funções próprias da docência.

O pedido não envolve todo o concurso. O certame prevê 2.956 vagas imediatas e 14.780 para cadastro de reserva. Para Agente Educativo, são 1.663 vagas imediatas e 8.315 para cadastro de reserva.

Entre as atribuições previstas estão participação no trabalho pedagógico, planejamento e execução de atividades voltadas ao desenvolvimento integral das crianças, além de ações pedagógicas, esportivas e culturais. Para Kátia, essas funções podem se aproximar das exercidas por professores da Educação Infantil, embora o cargo esteja fora da carreira do magistério.

O Agente Educativo terá salário de R$ 3.070,76 para 30 horas semanais. A exigência é de Ensino Médio na modalidade Magistério ou Ensino Médio com curso de extensão em educação de pelo menos 120 horas.

A vereadora compara o cargo ao de Profissional da Educação I (PE-I), que também integra o concurso. São 1.056 vagas imediatas, exigência de licenciatura em Pedagogia e salário de R$ 4.508,28 para a mesma jornada. O processo seletivo também é diferente: para Agente Educativo haverá apenas prova objetiva; para PE-I, prova objetiva, discursiva e avaliação de títulos.

Lei e remuneração são questionadas

Na representação, Kátia cita a Lei Federal nº 15.326/2026, que alterou a LDB e passou a reconhecer como professores da Educação Infantil, independentemente da denominação do cargo, profissionais que exerçam função docente, atuem diretamente com as crianças, tenham formação adequada e ingressem por concurso público.

Com base na legislação, a parlamentar pede que o MP-GO avalie se as atribuições previstas para o Agente Educativo podem caracterizar exercício de função docente. Kátia também questiona a remuneração: segundo cálculo apresentado na representação, os R$ 3.070,76 ficariam abaixo do valor proporcional do piso nacional do magistério para 30 horas.

Kátia solicita ainda que seja apurado se a estrutura das vagas pode resultar na utilização de profissionais com menor remuneração para desempenhar funções atribuídas a professores.

Até o momento, não há confirmação de que tenha ocorrido um erro na elaboração do edital. A representação aponta uma possível irregularidade e pede que o Ministério Público analise a situação. As inscrições estão previstas para começar em 9 de novembro, com provas marcadas para 31 de janeiro de 2027.

Prefeitura mantém concurso

Procurada, a Prefeitura de Aparecida informou que o concurso da Educação segue os critérios e procedimentos definidos pela banca examinadora, responsável pela organização do certame. O município afirmou ainda que, até o momento, não havia tomado conhecimento do pedido de esclarecimento e que permanece à disposição para prestar informações.

A organização é do Instituto Verbena, vinculado à Universidade Federal de Goiás (UFG). A reportagem questionou a banca sobre a elaboração das atribuições, a compatibilidade das funções com a escolaridade exigida, a existência de eventual inconsistência e a possibilidade de retificação do edital. Até o fechamento, não houve retorno.

O MP-GO também foi procurado para confirmar o recebimento da representação, informar se o caso já está em análise e se foram solicitadas informações à Prefeitura ou à banca. O órgão também foi questionado sobre eventual medida antes do início das inscrições. Até o fechamento, não houve resposta.

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego) também não respondeu nosso questionamento. O caso agora depende da análise do Ministério Público. A questão central é saber se as atribuições previstas para o Agente Educativo são compatíveis com o cargo ou se podem configurar funções próprias da docência, como sustenta a vereadora.

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Por: ohoje.com