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EUA enviam 600 soldados à América Latina; Lula cai no ranking

Os Estados Unidos deslocam cerca de 600 soldados para países da América Latina, com apoio em operações antidrogas e uso de drones de ataque na Colômbia e no Equador, enquanto uma nova pesquisa regional coloca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apenas na 8ª posição em popularidade entre líderes da região.

Quais são os principais países da América Latina envolvidos nas recentes movimentações militares dos EUA?

Os principais países da América Latina afetados pela nova movimentação militar americana são Panamá, Colômbia, Honduras e Equador, que recebem tropas, treinamentos e tecnologia de vigilância e ataque.

De acordo com autoridades americanas, o primeiro contingente é formado por cerca de 600 soldados da 10ª Divisão de Montanha, baseada em Fort Drum, Nova York. Eles chegam para realizar exercícios conjuntos com forças locais em nações do chamado “mapa estratégico” dos EUA na região, em especial Panamá, Colômbia e Honduras, áreas-chave nas rotas do narcotráfico.

As mesmas autoridades afirmam que “os soldados enviados à região podem fornecer apoio às tropas de Operações Especiais dos Estados Unidos em incursões contra suspeitos de narcotráfico”. Paralelamente, centenas de outros militares passam a integrar um novo comando de operações para o Hemisfério Ocidental, com sede em Miami, voltado a coordenar ações em toda a América Latina e Caribe.

No eixo andino, Colômbia e Equador ganham protagonismo com a transferência de drones MQ-9 Reaper, aeronaves não tripuladas usadas para vigilância e ataques de precisão. Três unidades já foram recebidas pela Colômbia, que avalia ampliar a frota, enquanto autoridades equatorianas confirmam o uso de drones em seu espaço aéreo em missões antidrogas e antiterrorismo.

Na prática, o reforço militar coloca novamente o mapa da América Latina no centro da estratégia de segurança de Washington. Governos que veem o combate ao narcotráfico como prioridade tendem a apoiar a iniciativa, enquanto setores políticos e movimentos sociais criticam o que consideram expansão da influência militar americana em países latino-americanos, incluindo Brasil, México, El Salvador, República Dominicana, Costa Rica, Panamá, Peru, Argentina e outros vizinhos diretamente afetados por rotas de crime organizado.

Como está o ranking de popularidade dos presidentes na América Latina atualmente?

O ranking mais recente da CB Global Data mostra Claudia Sheinbaum na liderança da América Latina, com 69,3% de imagem positiva, enquanto Lula aparece na 8ª posição, com 45,3% de aprovação e 50,5% de avaliação negativa.

A pesquisa foi feita online entre 5 e 8 de outubro em 18 países latino-americanos — entre eles Brasil, México, Argentina, Colômbia, Peru, Venezuela, Chile, Equador, Bolívia, Paraguai, Uruguai, El Salvador, Nicarágua, Costa Rica, Panamá, Guatemala, Honduras e República Dominicana — com margem de erro de até 2,2 pontos percentuais por país.

Segundo o levantamento, “a esquerda segue na liderança do ranking com a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, que registra 69,3% de imagem positiva”. Ela é seguida por Nayib Bukele, de El Salvador, com 68,3%. No grupo dos cinco mais bem avaliados aparecem ainda Luis Abinader (República Dominicana), com 51,9%; Laura Fernández (Costa Rica), com 51%; e Abelardo de la Espriella (Colômbia), com 49,7%.

Lula, que em setembro ocupava a sétima posição, cai agora para oitavo lugar. O presidente brasileiro marca 45,3% de imagem positiva e 50,5% de negativa, em movimento de piora: na rodada anterior, seus índices eram de 48,5% e 49,2%, respectivamente. No outro extremo, o levantamento mostra oscilações significativas, como a alta de 4,4 pontos de José Raúl Mulino, no Panamá, e a queda de 6,1 pontos de Keiko Fujimori, no Peru.

Entenda o contexto

O cenário de popularidade dos presidentes na América Latina se cruza com um ambiente de forte insatisfação social e imediatismo, que atinge governos de esquerda e de direita. Para o estrategista político espanhol Antoni Gutiérrez-Rubí, que atuou em campanhas vitoriosas de Gustavo Petro na Colômbia e de Claudia Sheinbaum no México, o problema não é apenas ideológico, mas estrutural.

Ele avalia que as sociedades de países da América Latina — do Brasil à Argentina, passando por México, Colômbia e outros — mudaram a forma de se relacionar com quem está no poder. “As sociedades latino-americanas se tornaram muito mais exigentes e não concedem tempo a seus governos. O desânimo, a desesperança e a frustração avançam muito rapidamente”, afirma Gutiérrez-Rubí. Segundo ele, a consequência é clara: o voto passa a ser usado para castigar governantes, e não para premiar.

Na visão do estrategista, a “lógica acelerada das redes sociais, com algoritmos que estimulam a indignação” alimenta esse ciclo de ansiedade. A cobrança por resultados imediatos torna mais difícil aprovar e implementar reformas estruturais que levam anos para gerar efeitos concretos em emprego, renda e serviços públicos, tanto no Brasil quanto em outros países do continente.

No caso brasileiro, ele destaca que, mesmo após condenações judiciais contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, o campo político ligado ao ex-mandatário segue com força. “O bolsonarismo existe e representa uma parte muito importante dos brasileiros”, diz. Para Gutiérrez-Rubí, isso ajuda a explicar por que Lula enfrenta hoje mais resistência para manter apoio amplo do que quando derrotou Bolsonaro como opositor, em um ambiente latino-americano cada vez mais polarizado e volátil.

O conjunto desses movimentos — aumento da presença militar dos Estados Unidos na América Latina, pressão sobre governos no combate ao crime organizado e oscilações na popularidade de líderes como Lula, Sheinbaum e Bukele — reforça a percepção de que a região vive uma fase de instabilidade: sociedades mais impacientes, redes sociais inflamadas e disputas de influência, externas e internas, redesenham as relações de poder no continente.

Por: Ncnews