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Adriana Accorsi rompe com ala do PT-GO e cria corrente própria dentro do partido

A disputa pelo comando político do PT em Goiás gerou uma ruptura nesta quinta-feira (15). Presidente estadual da sigla, a deputada federal Adriana Accorsi anunciou a criação de uma corrente interna própria e passou a confrontar publicamente setores do partido com os quais mantém divergências.

O novo grupo recebeu o nome de Força Popular. A iniciativa ocorre em um momento de reorganização do PT goiano para o segundo turno da eleição presidencial, período em que Adriana também passou a comandar a campanha de Lula no estado.

A criação da corrente evidencia uma divisão que já vinha se formando dentro da legenda. Adriana afirma que integrantes de um grupo mais antigo do partido tentam enfraquecer sua permanência na presidência estadual e interferir nas decisões políticas da direção.

Em manifestação divulgada à imprensa, a deputada acusou esse setor de trabalhar para afastá-la do comando do PT-GO. Ela também associou o conflito a uma resistência interna à sua liderança.

A presidente estadual sustenta que sua posição dentro do partido foi reforçada pelo resultado das eleições. Reeleita deputada federal, Adriana recebeu 177.103 votos.

Além do desempenho individual, ela cita o crescimento da bancada petista como argumento para defender a atual condução da legenda. O PT manteve duas vagas na Câmara dos Deputados e ampliou sua representação na Assembleia Legislativa, passando de três para quatro cadeiras.

Disputa chegou à direção nacional do PT

O embate interno também teria chegado à cúpula nacional da legenda.

Em mensagens divulgadas pelo Jornal Opção, Adriana afirma que o presidente nacional do PT, Edinho Silva, teria recebido informações de correligionários goianos de que ela não estaria em condições de assumir a coordenação da campanha de Lula por motivos de saúde.

A parlamentar rejeitou a versão e acusou integrantes do próprio partido de repassarem informações falsas à direção nacional.

“Ele me disse que pessoas do PT aqui [de Goiás] mentiram a ele que eu estava doente e não iria conseguir coordenar a campanha do Lula em Goiás”, escreveu.

As mensagens também mostram que Adriana decidiu formalizar politicamente o rompimento com parte do grupo adversário.

“Estamos criando a nova tendência do PT. Quem quiser, vem comigo”, afirmou.

Em outro trecho, disse que a Força Popular deverá seguir “longe dessa velha guarda”. Ao ser questionada por um integrante da legenda sobre a movimentação, respondeu: “Chorem mais”.

Entre os nomes associados ao grupo criticado pela presidente estadual está o ex-tesoureiro nacional do PT Delúbio Soares, segundo o Jornal Opção.

Força Popular

Adriana afirma que a nova corrente deverá concentrar sua atuação em movimentos sociais, sindicatos, juventude e pautas relacionadas aos trabalhadores e às mulheres.

A criação de tendências internas faz parte da organização do PT e esses grupos costumam disputar espaço nas instâncias partidárias, influenciando decisões sobre alianças, candidaturas e composição das direções.

Em Goiás, porém, o surgimento da Força Popular ocorre em meio a uma disputa direta pelo comando político da legenda.

A crise também coincide com uma etapa decisiva para o partido: a mobilização do segundo turno presidencial. Adriana assumiu a coordenação da campanha de Lula em Goiás enquanto o PT busca ampliar sua votação no estado.

Com a nova corrente, divergências que já existiam nos bastidores passam a ganhar uma estrutura própria dentro da legenda.

Veja a nota na íntegra

FORÇA POPULAR SURGE DENTRO DO PT SOB COMANDO DE ADRIANA ACCORSI

Minha decisão de seguir na luta e no trabalho pelo povo goiano na Câmara dos Deputados provou ser acertada e estou muito honrada e muito grata pelos mais de 177 mil votos que recebi, uma prova de confiança, que me transformou na mulher de esquerda e do meu partido mais votada da história em Goiás. A condução do processo eleitoral também levou o PT a ampliar a votação para as bancadas nos legislativos estadual e federal. Entre 2022 e 2026, o PT-GO cresceu em todos os cargos disputados no estado – para governador, deputados federais e estaduais. O candidato a governador ganhou 46% mais votos do que o candidato ao executivo estadual em 2022.

A votação total do partido para a bancada federal subiu 30% e 45% na estadual. Mantivemos duas cadeiras na Câmara Federal. Eu mesma fui de 96.714 para 177.103 votos (+83%), sendo a segunda mais votada do estado, e Rubens Otoni ampliou sua votação de 83.539 para 101.902 votos. Também passamos de três para quatro cadeiras na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, com Fabrício Rosa, Antônio Gomide, Kátia Maria e Bia de Lima. Sendo que Fabrício Rosa cresceu de 20.432 para 81.540 votos, como o segundo mais votado para a Alego.

No entanto, mais uma vez, tenho de anunciar que um grupo da velha guarda do meu partido, que já tentou me forçar a desistir da reeleição a deputada federal, permanece incomodado com a liderança feminina, e se movimenta para me tirar da direção do partido desrespeitando o protagonismo de uma mulher que, além de ter sido a parlamentar de esquerda mais votada para a Câmara Federal historicamente, também foi eleita como dirigente partidária com 95% dos votos. Minha resposta para eles mais uma vez é simples: não.

Estou criando a nova Força Popular, ligada aos movimentos sociais e sindicais. Com ela, seguimos firmes junto com o presidente Lula e do lado do povo. Nossa luta tem história, tem força e, acima de tudo, tem o reconhecimento do povo goiano. Temos orgulho dessa caminhada de enfrentamento ao conservadorismo e de defesa das bandeiras em favor da classe trabalhadora e dos direitos da população e, principamente, de defesa dos direitos da mulher. A força do pensamento progressista e da juventude são a vertente para o futuro.

Adriana Accorsi

Por: Portalgo