O portal de notícias dos goianos!

ANÁLISE: Chegada de Câmara à F1 consolida “Brazilian Storm” do automobilismo

Brasil volta a ter dois pilotos na principal categoria do automobilismo mundial, além de vir de uma sequência de títulos nos campeonatos de base

O anúncio da contratação de Rafa Câmara pela Haas em um contrato plurianual na Fórmula 1 consolida o bom momento que o automobilismo brasileiro vive nas pistas.

Leia também:F1 – Red Bull alerta rivais com avaliação do motor próprio: Estamos em 50% do potencialF1: Russell define possível ‘palco’ para segunda punição por troca de motorF1: Empresários de Verstappen barraram ida de Alonso e de Leclerc para Red Bull, afirma Horner

Pela primeira vez desde o fim de 2026, o Brasil terá mais de um representante no grid da principal categoria do automobilismo mundial, um cenário bem diferente da seca que vivíamos no início da pandemia da Covid-19, em 2020.

Desde então, o Brasil cresceu e passou a exportar muitos talentos para os principais campeonatos do mundo, nas duas e quatro rodas, mostrando que, para além do surf, também vivemos uma Brazilian Storm no automobilismo.

Consolidação do papel do Brasil na Fórmula 1

O Brasil sempre foi um mercado importante para a Fórmula 1. Não somente o GP do Brasil / de São Paulo é considerado uma das melhores etapas do ano por pilotos, equipes e fãs, mas também por questões comerciais.

Por ser um dos poucos mercados que transmitem boa parte da temporada em TV Aberta, os números oriundos do Brasil inflam as cifras exibidas pela Liberty Media ao mundo quando o assunto é o sucesso de público da F1. Mas é inegável que a seca de pilotos que o Brasil viveu entre o fim de 2017 e o início de 2025 afetou esse processo.

Sem um brasileiro, a Globo passou a cortar cada vez mais a presença da F1 em sua programação, chegando ao ponto de perder o contrato após a temporada 2020. A categoria encontrou uma nova casa na Band entre 2021 e 2025, e o canal paulista chegou à F1 um espaço que ela jamais encontrou na Globo. Mas a visibilidade limitada (entre outros problemas) levaram ao fim do relacionamento, com as transmissões voltando para a Globo.

Ainda no fim da parceria com a Band, a F1 viu novamente a chegada de um brasileiro ao grid, com Gabriel Bortoleto fazendo sua estreia pela Sauber. O piloto de Osasco chegava graças a uma trajetória meteórica na base da F1, conquistando os títulos da Fórmula 3 e da Fórmula 2 de forma consecutiva, em seus anos de estreia nas categorias.

Mesmo correndo por uma equipe de fundo de grid, Bortoleto não decepcionou em sua disputa primeira, contra seu companheiro de equipe, Nico Hulkenberg. A performance de Gabriel ao longo de 2025 não passou despercebida, sendo muito elogiada pela própria Sauber/Audi e pela imprensa internacional.

Agora, a chegada de Câmara vem para consolidar o papel-chave do Brasil no grid. O país empata com França e Espanha no número de representantes no grid, e perde apenas para o Reino Unido, com uma presença maior entre os pilotos de 2027

Sucesso nas categorias de base

Câmara chega à F1 na esteira de bons resultados nas categorias de base, consolidando o bom momento brasileiro nos últimos cinco anos. O pernambucano foi campeão da FRECA em 2024 e da F3 em 2025, enquanto segue no aguardo de uma definição sobre o destino da F2, categoria que lidera no momento.

A sequência brasileira começou, na verdade, em 2022, com título de Felipe Drugovich na F2, seguido de Bortoleto na F3 e na F2 em 2023 e 2024, até chegarmos à “era Câmara”.

Mas um ponto importante nesse debate a ser considerado é que o bom momento do Brasil vai além de “apenas” termos campeões. Nossa presença nos grids dessas categorias também vem aumentando, com Câmara tendo a companhia de Emmo Fittipaldi na F2, além de Pedro Clerot e Fefo Barrichello na F3.

E mesmo nomes que não conseguiram realizar o sonho de correr pela F1 vêm solidificando suas carreiras no mundo dos monopostos. Em seu ano de estreia na Fórmula E, Felipe Drugovich obteve bons resultados correndo pela Andretti, e promete crescer ainda mais na temporada 2026-27, se aproveitando da chegada do novo carro Gen4.

Nos Estados Unidos, temos mais dois exemplos claros disso: Caio Collet pode ter batido na trave da Fórmula 3, mas teve um bom primeiro ano correndo na Indy, sendo alvo de interesse de equipes maiores para 2027. E Caio pode ter companhia em 2027, com Enzo Fittipaldi buscando uma vaga na categoria após o vice-campeonato na Indy NXT.

Bom momento vai além da F1 e das quatro rodas

Olhando para o mundo do endurance, temos nomes muito consolidados nas corridas de protótipos de de GTs. Felipe Nasr é um dos nomes mais importantes da IMSA na atualidade, tendo conquistado três vezes as 24h de Daytona, além de três títulos da categoria, sendo que, em um desses anos, 2021, foi campeão ao lado de Pipo Derani.

Augusto Farfus tem uma longa trajetória correndo nas principais categorias e provas do mundo de endurance, com uma ligação de longa data com a BMW. E há outros nomes já conhecidos lá fora também, como Daniel Serra, piloto oficial da Ferrari nas GT3, e Felipe Fraga.

Para além dos já consolidados, vemos nomes crescendo neste cenário nos últimos anos. Um deles é Dudu Barrichello, com boas performances pela Heart of Racing, tanto no WEC quanto no IMSA, enquanto Alexander Jacoby acaba de conquistar o título da European Le Mans Series na classe LMP3.

No mundo fora das pistas, também vivemos um bom momento, capitaneado pelo título inédito de Lucas Moraes no Mundial de Rally-Raid. O atual campeão do W2RC é, inclusive, um grande defensor da entrada do Sertões como etapa do Mundial, o que elevaria ainda mais a imagem do Brasil lá fora, pavimentando o futuro do off-road do país.

Passando para as duas rodas, sem dúvidas, o maior exemplo do bom momento brasileiro é Diogo Moreira. O brasileiro, que faz sua temporada de estreia na MotoGP na LCR, quebrou um jejum de quase duas décadas sem um representante na principal categoria do motociclismo. E, de quebra, o piloto de Guarulhos ainda conquistou um feito inédito para o Brasil, conquistando o primeiro título mundial no motociclismo para o país.

Para além de Moreira, o Brasil vem mostrando força em outras categorias das duas rodas. No Mundial de Yamaha R3, que encerrou sua temporada na última semana em Portugal, Aymon Bocanegra conquistou o terceiro lugar na classificação. No Motocross, Enzo Lopes também vem se destacando no cenário internacional, com bons resultados em campeonatos como o Mundial de Supercross.

REGI LEME: Bastidores de SENNA/PIQUET, o CRASHGATE, Lewis X Max, KIMI, Bortoleto/Câmara, F1 na Globo

Ouça a versão em áudio do PODCAST Motorsport.com:

Your browser does not support the audio element.

ACOMPANHE NOSSO PODCAST GRATUITAMENTE:

SpotifyDeezer Amazon MusicApple Podcasts

Faça parte do nosso canal no WhatsApp: clique aqui e se junte a nós no aplicativo!

Por: Motorsport.uol