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Da Copersucar à Stock Car: A história da família Fittipaldi como proprietária de equipes

Projeto liderado por Christian Fittipaldi para 2027 retoma tradição que começou nos karts e passou pela F1

A entrada da equipe Fittipaldi na temporada 2027 da Stock Car marca um novo capítulo na história de uma das famílias mais tradicionais do automobilismo brasileiro. Porém, com liderança de Christian Fittipaldi, o projeto não só recoloca um dos sobrenomes mais icônicos do país no grid de uma das principais categorias do país, mas resgata uma vocação que está no DNA da dinastia: a de liderar a própria equipe.

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Ao longo das últimas décadas, a família Fittipaldi esteve presente no paddock de diferentes categorias como proprietária, sendo o empreendimento mais conhecido a Copersucar-Fittipaldi, primeira e única equipe brasileira da história da F1. No entanto, essa história começa ainda nos anos 1960 e o Motorsport.com relembra essa trajetória. 

Dos karts à Fórmula Vee: Os primeiros empreendimentos

A história da família como empreendedores no automobilismo começou antes de Emerson Fittipaldi conquistar seus dois títulos mundiais de F1. Na década de 1960, os irmãos Wilson Fittipaldi Jr. e Emerson fundaram a Fittipaldi Karts (os populares “Fitti-karts”), trabalhando com preparação mecânica, fabricação de karts e desenvolvimento de carros de competição. 

Em 1967, foram pioneiros no desenvolvimento da Fórmula Vee no Brasil, construindo os monopostos Fitti-Vee, categoria na qual Emerson se sagrou campeão antes de sua vitoriosa jornada rumo ao topo do automobilismo mundial. 

Embora não fossem todas equipes independentes no sentido empresarial, os projetos demonstravam que os Fittipaldi já atuavam em diferentes etapas do automobilismo, da construção de veículos à preparação e operação nas pistas.

Copersucar-Fittipaldi: A grande empreitada 

Em 12 de janeiro de 1975, foi para a pista no GP da Argentina o resultado do projeto mais ambicioso dos dois irmãos: com Wilson ao volante, estreava na F1 o primeiro carro da equipe Copersucar-Fittipaldi.

A escuderia, também conhecida como Fittipaldi Automotive e, em diferentes períodos, Skol Fittipaldi, foi idealizada por Wilson, que assumiu a gestão da operação. O projeto envolveu a construção de monopostos, contratação de profissionais especializados e formação de uma estrutura técnica capaz de disputar o Mundial.

O time surgiu de um desejo de longa data dos irmãos Emerson e Wilson de ter uma representação brasileira no grid que fosse além de apenas os pilotos, podendo servir como uma porta de entrada para novos talentos do país na categoria. A Copersucar, marca brasileira do ramo de açúcar e etanol, com sede em São Paulo, viabilizou o projeto como patrocinadora master ate 1977. 

Em 1976, Emerson, já bicampeão mundial, deixou a McLaren para correr pela equipe da família. Dois anos depois, subiu ao pódio pelo time ao terminar o GP do Brasil na segunda posição, o melhor resultado da história da Fittipaldi Automotive. Em 1978, a equipe terminou o campeonato de construtores na sétima colocação, a frente de nomes tradicionais como a própria McLaren e a Williams. 

Emerson Fittipaldi, Fittipaldi F5A Ford

Foto de: Motorsport Images

Em 1980, os Fittipaldi adquiriram o espólio da Walter Wolf Racing, aproveitando uma organização já estabelecida na F1. O time conseguiu mais dois pódios, um de Emerson nos EUA e outro de Keke Rosberg na Argentina, mas as dificuldades financeiras para manter a operação se acumulavam. 

Emerson se aposentou da F1 no fim de 1980 e assumiu a gestão integral do time ao lado do irmão até o encerramento das atividades da Fittipaldi Automotive, em 1982. Ao longo de oito temporadas, participou de 104 largadas em GPs, conquistou três pódios e marcou 44 pontos no Mundial de Construtores. 

A1 Team Brasil 

A atuação da família como dirigente e proprietária de estruturas esportivas também alcançou o automobilismo internacional nos anos 2000. Emerson Fittipaldi esteve à frente da A1 Team Brasil, equipe que representou o país na A1 Grand Prix, campeonato internacional autoproclamado “Copa do Mundo do Automobilismo”. O projeto começou em 2005 e teve o ex-jogador de futebol Ronaldo Fenômeno como coproprietário na primeira temporada.

Diferentemente da F1, a A1 Grand Prix utilizava carros padronizados e contava com equipes especializadas contratadas para a operação técnica. A estrutura brasileira trabalhou com diferentes organizações ao longo das temporadas, enquanto Emerson atuava na representação e na gestão do projeto. A equipe não era de propriedade exclusiva da família, mas representa outra experiência relevante na administração e liderança de um time de competição. 

A A1 Team Brasil teve participação de pilotos como Nelson Piquet Jr. e Christian Fittipaldi, além de outros nomes brasileiros. A iniciativa encerrou sua trajetória com o fim da competição, em 2009. 

2018–2020: Primeira tentativa de retorno à Stock Car

Em dezembro de 2018, Wilson Fittipaldi anunciou a Fittipaldi Team, projeto que pretendia reunir novamente parte da equipe responsável pela Copersucar. O engenheiro Ricardo Divila voltaria a trabalhar com Wilson, enquanto Christian Fittipaldi seria consultor técnico. 

Ricardo Divila

Foto de: Reprodução

A intenção inicial era disputar a temporada de 2019 com dois carros, buscando manter a identidade visual da Copersucar. O plano, porém, foi adiado em abril de 2019, com Wilson explicando que o investimento necessário para montar a equipe seria elevado, especialmente diante da mudança de carro prevista para 2020, que exigiria um novo aporte financeiro. A redução do apoio dos patrocinadores também pesou na decisão.

Diante das dificuldades financeiras, o plano acabou não saindo do papel. 

2027: Fittipaldi na Stock Car

Agora, Christian Fittipaldi assume a frente de um novo projeto na Stock Car com a entrada da Fittipaldi no grid de 2027. Eduardo Akel, profissional com experiência técnica e de gestão no automobilismo e Adilson Morari, chefe em categorias de base com trajetória em formação de pilotos também compõem o quadro de sócios da nova empreitada. 

Christian Fittipaldi e logo da equipe Fittipaldi

Foto de: Divulgacao

A iniciativa prevê a integração das operações da Stock Car Pro Series e da Stock Light, com o objetivo de aproveitar a estrutura e a experiência acumuladas na categoria de base para viabilizar a chegada à principal divisão da Stock Car. O time buscará combinar profissionais, recursos e conhecimento técnico.

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Por: Motorsport.uol