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MotoGP não tem como copiar fórmula de Drive to Survive, diz ex-CEO da F1

Chase Carey acredita que Mundial de Motovelocidade precisa encontrar seu caminho próprio em direção ao crescimento global

Para o ex-CEO da Liberty Media, Chase Carey, a MotoGP não pode “simplesmente copiar” o modelo de sucesso da série documental da Netflix sobre a Fórmula 1, Drive to Survive, para ganhar maior reconhecimento a nível mundial.

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A Liberty finalizou a compra da F1 em janeiro de 2017, e um dos grandes feitos da empresa americana foi o lançamento de sucesso da série da Netflix dois anos depois, o que contribuiu substancialmente para o aumento da popularidade do Mundial.

Recentemente, a Liberty adquiriu 84% das ações da Dorna Sports (agora conhecida como MotoGP Sports Entertainment Group). O grupo busca mudar a cara da categoria – majoritariamente espanhola e italiana – além de aumentas sua presença nos EUA.

“Certamente há elementos do que as equipes precisam fazer na MotoGP que terão semelhanças com a F1”, disse Carey em uma palestra no Autosport Business Exchange, em Nova York. “Obviamente, é uma franquia global”.

“De certa forma, a MotoGP é ainda mais insana. Quando você olha para esses caras, eles parecem estar deitados no asfalto pilotando as motos por aí. Mas é um esporte que também tem suas características únicas. E acho que não dá simplesmente para usar uma abordagem padronizada”.

“Ainda é o começo. Eles estão trabalhando nisso, desenvolvendo as estratégias, as oportunidades de como pegar esse esporte e fazê-lo crescer da forma como tentamos fazer com a F1″.

Drive to Survive recebeu o crédito de apresentar a F1 a um público totalmente novo, impulsionada pelo lockdown da Covid-19, que ocorreu pela primeira vez algumas semanas após o lançamento da segunda temporada.

“Drive to Survive é provavelmente o exemplo mais óbvio”, reconheceu Carey. “Reconhecemos que precisávamos ter as personalidades que compõem o esporte, dar a elas uma plataforma maior e permitir que os fãs se envolvessem”.

“O mundo digital hoje é um mundo 24/7. A experiência premium ainda é a corrida ao vivo, mas, no fim das contas, as pessoas estão se conectando com a prova, acompanhando-a, vendo clipes, vídeos sobre o que as pessoas estão fazendo, coisas que acontecem nos bastidores”.

“Elas acompanham isso 24/7. Então precisamos continuar encontrando formas de alimentar esse apetite e esse desejo de se conectar com o esporte delas, fornecer os meios que permitam aos fãs se conectar com o esporte dessa maneira”.

Liz Claman and Chase Carey

Photo by: Bryan Bedder / Getty Images

“Neste momento, os EUA são o maior mercado do YouTube para o nosso esporte. Então isso mostra a conexão que estamos tendo por meio desses meios. Drive to Survive se tornou uma peça central nos esforços digitais. Muitos esforços estão acontecendo no digital, mas isso certamente é a peça central. Tem sido uma franquia incrivelmente importante e valiosa para nós”.

Outras categorias, no automobilismo e em outros esportes, tentaram emular esse sucesso, mas Carey não acredita que isso seria o certo para a MotoGP.

“Você deve procurar oportunidades”, insistiu o americano. “Realisticamente, todo mundo viu Drive to Survive e então todo mundo tentou fazer isso. O golfe tentou fazer seu Full Swing, o tênis tentou fazer Break Point – todo mundo. “Normalmente, não dá simplesmente para copiar algo. Acho que aprendemos isso na Fox com American Idol. O  American Idol meio que capturou a imaginação do mundo, e houve programas que vieram depois e se saíram bem, mas houve apenas um programa que realmente fez isso”.

“Acho que, em geral, você não pode sair por aí e fazer a mesma coisa. É preciso encontrar formas de usar oportunidades, usar personalidades, usar plataformas digitais, desenvolver grandes parceiros”.

“A Apple trouxe uma perspectiva totalmente nova sobre como você transmite e se conecta com os fãs [da F1]. Então acho que esse tipo de oportunidade, você precisa então ver o que pode fazer com ela, como desenvolvê-la. Eles precisam seguir seu próprio caminho e encontrar suas próprias oportunidades. O filme foi uma grande oportunidade para isso, mas você não pode simplesmente sair e fazer um filme da MotoGP. Essa pode não ser a oportunidade certa”.

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Por: Motorsport.uol