Os casos de mpox aumentaram no Rio de Janeiro e colocaram as autoridades de saúde em alerta. A capital fluminense registrou 74 infecções confirmadas entre setembro e outubro de 2026, contra apenas dez no mesmo período do ano passado. O número representa um crescimento de 640%, enquanto a cidade enfrenta falta de doses da vacina contra a doença.
Segundo dados do Observatório Epidemiológico da Prefeitura do Rio, setembro teve 45 casos confirmados, o maior número mensal em três anos. Em outubro, até o levantamento divulgado nesta sexta-feira (30), foram contabilizados outros 29 diagnósticos. Ao longo de 2026, a capital acumula 167 casos, acima dos 94 registrados durante todo o ano de 2025.
A situação também preocupa no restante do estado. Dados da Secretaria Estadual de Saúde apontam 211 casos confirmados até terça-feira (27), contra 119 em todo o ano passado. Outros 117 registros permanecem em investigação. Apesar do crescimento, as autoridades sanitárias afirmam que ainda não é possível classificar o cenário como epidemia.
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Rio registra aumento de casos e enfrenta falta de vacinas
O avanço da mpox ocorre em um momento de dificuldades na disponibilidade de imunizantes. Segundo informações divulgadas pela imprensa nesta sexta-feira, a capital fluminense está sem doses da vacina destinada à prevenção da doença.
O deputado federal Daniel Soranz (PSD-RJ), ex-secretário municipal de Saúde e presidente da Frente Parlamentar da Vacina no Congresso Nacional, cobrou a ampliação da compra e da distribuição de imunizantes pelo Ministério da Saúde.
“Aqui no Rio de Janeiro, o aumento do número de casos liga um alerta para todo o Brasil.”
De acordo com Soranz, dez pacientes estavam internados com a doença no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Manguinhos, na Zona Norte do Rio.
A vacinação contra a mpox não é oferecida de maneira universal pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde estabelece grupos prioritários, considerando o risco de exposição e a possibilidade de evolução para quadros graves.
Entre os públicos contemplados estão pessoas vivendo com HIV que apresentam imunossupressão, profissionais de laboratório que trabalham diretamente com o vírus e pessoas que tiveram contato de risco com casos suspeitos ou confirmados, após avaliação das autoridades de saúde.
O que é mpox e quais são os principais sintomas?
A mpox é uma doença infecciosa causada pelo vírus MPXV, pertencente ao gênero Orthopoxvirus. A maioria dos pacientes apresenta sintomas leves ou moderados, mas a infecção pode provocar complicações graves, principalmente em pessoas com o sistema imunológico comprometido.
Os sintomas mais comuns incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, cansaço, calafrios e aumento dos gânglios linfáticos, conhecidos popularmente como ínguas.
Uma das principais características da doença é o surgimento de lesões na pele ou nas mucosas. Elas podem aparecer como manchas, bolhas ou feridas, inclusive no rosto, nas mãos, nos pés, na boca e nas regiões genital e anal.
O período entre a exposição ao vírus e o aparecimento dos sintomas costuma variar de três a 16 dias, podendo chegar a 21 dias.
Nem todos os pacientes apresentam os mesmos sinais. Algumas pessoas desenvolvem poucas lesões, enquanto outras podem enfrentar manifestações mais extensas e dolorosas.
Como acontece a transmissão da mpox?
A transmissão ocorre principalmente pelo contato físico próximo com uma pessoa infectada, especialmente quando há contato direto com lesões, secreções corporais ou mucosas.
O vírus também pode ser transmitido pelo compartilhamento de objetos contaminados, como toalhas, roupas de cama e peças de vestuário.
Relações sexuais representam uma situação de risco devido à proximidade física e ao contato com a pele e as mucosas. Entretanto, a mpox não é uma doença transmitida exclusivamente por relações sexuais.
Também pode ocorrer transmissão por secreções respiratórias durante contatos próximos e prolongados.
Uma pessoa infectada pode transmitir o vírus desde o início dos sintomas até a cicatrização completa de todas as lesões, quando as crostas desaparecem e uma nova camada de pele se forma.
Como prevenir a doença?
O Ministério da Saúde recomenda evitar contato direto com lesões de pessoas com suspeita ou confirmação de mpox.
Também é importante não compartilhar toalhas, roupas, lençóis e outros objetos pessoais que possam estar contaminados.
A higienização frequente das mãos, a limpeza de superfícies e a redução do contato físico próximo com pessoas sintomáticas ajudam a diminuir o risco de transmissão.
Quem apresentar sinais suspeitos deve evitar relações sexuais e contato físico próximo até receber avaliação médica.
O uso de preservativos pode reduzir parte do risco durante as relações sexuais, mas não oferece proteção completa, porque as lesões podem estar presentes em regiões do corpo não cobertas pelo preservativo.
Em casos confirmados, o isolamento e os cuidados devem seguir as orientações dos profissionais de saúde até a cicatrização completa das lesões.
Onde procurar atendimento e fazer o teste no Rio?
Pessoas que apresentarem lesões suspeitas, principalmente quando acompanhadas de febre, dores no corpo ou ínguas, devem procurar uma unidade de saúde.
O diagnóstico pode ser realizado por meio da coleta de material das lesões para análise laboratorial. A identificação precoce permite orientar o paciente, acompanhar possíveis complicações e reduzir o risco de transmissão.
No Rio de Janeiro, um dos serviços de referência é o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz, localizado na Avenida Brasil, 4.365, em Manguinhos. A unidade mantém atendimento para casos suspeitos e confirmados da doença.
Outro serviço especializado é o Núcleo de Enfrentamento e Estudos de Doenças Infecciosas Emergentes e Reemergentes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Cidade Universitária.
As unidades básicas de saúde também podem realizar a avaliação inicial e orientar sobre a necessidade de exames e acompanhamento.
Especialistas investigam circulação de novo subtipo
Além do crescimento das notificações, pesquisadores acompanham indícios de circulação do clado 1b, um subtipo do vírus da mpox identificado anteriormente em outros países.
O infectologista Rafael Galliez, vice-diretor de um núcleo especializado da UFRJ, afirmou que estudos de sequenciamento genético apontam a presença desse subtipo no estado.
Entretanto, ainda não há confirmação de que a circulação dessa variante seja responsável pelo aumento recente dos diagnósticos.
A identificação de diferentes subtipos é importante para o monitoramento epidemiológico, mas não significa, por si só, que todos os casos estejam associados a formas mais graves da doença.
Próximos passos
As secretarias municipal e estadual de Saúde continuam acompanhando os registros de mpox e orientando os serviços de atendimento sobre a identificação de novos casos.
A ampliação da disponibilidade de vacinas para os grupos prioritários também entrou no debate diante do aumento das infecções.
O Ministério da Saúde mantém recomendações de prevenção, diagnóstico e acompanhamento clínico. A maioria dos pacientes se recupera em duas a quatro semanas, mas pessoas com sintomas persistentes, dificuldade para se alimentar ou sinais de agravamento devem procurar assistência médica.
A evolução dos números nas próximas semanas será importante para avaliar se o aumento observado em setembro e outubro representa uma mudança sustentada no comportamento da doença no Rio de Janeiro.
Por: Ncnews