O governador Daniel Vilela navegou, na campanha de sua reeleição, entre a promessa de continuidade e de construção de uma identidade administrativa própria.
Insistiu que preservaria o projeto dos governos de Ronaldo Caiado (ele participou do segundo, como vice), mas também apresentou sua carta de intenções, que é uma espécie de carta de independência como gestor e político.
Em destaque, como elementos de uma nova etapa – a sua etapa -, estão três pontos, três propostas de resistência: tecnologia, inovação e qualificação profissional.
A distinção entre Daniel e Caiado permitirá
Acompanhar, ao longo do mandato que começa em janeiro, quais compromissos de continuidade (ações, programas, políticas públicas implantadas) vão se manter de pé mantidos e quais constituirão iniciativas próprias do novo governo será didático.
Será ver, na prática, como se dará a formação da identidade de Daniel, e consequentemente a separação de corpos entre ele e Caiado. Com ruptura? Com acomodação das diferenças em um mesmo projeto/grupo político?
Na campanha, Daniel apresentou sua carta de propósito como gestor. Ela está no que disse e no que indicou. E nos silêncios medidos.
Nas suas próprias palavras:
“O melhor governo do Brasil vai continuar em Goiás. Nós vamos viver mais quatro anos de avanços, de alegria e de prosperidade.”
Isso é continuidade.
“Aqui o crime não vai ser tolerado, nós vamos continuar fazendo de Goiás o estado mais seguro do Brasil.”
Continuidade. Esse discurso é o de Caiado desde sempre.
“O melhor governo do Brasil vai continuar em Goiás. Nós vamos viver mais quatro anos de avanços, de alegria e de prosperidade.”
Sinalização de transição sem atropelo.
“Investir em soluções tecnológicas. Vamos ter uma série de ações modernizantes e estruturantes.”
Diferencial como promessa.
“Goiás vai continuar no caminho seguro e correto. Goiás não vai andar para trás.”
Frase de marqueteiro com um sentido pragmático de ligação entre o velho (governos Caiado) e o novo.
“Não estou pensando em uma obra para deixar como marca do meu governo. Vou fazer aquilo que é preciso.”
Se fizer o que é preciso, a marca de Daniel estará impressa no tempo e na História. A retórica da humildade é a grandeza da esperteza calculada.
Para atingir o grau de destaca sem a sombra de Caiado, Daniel tem pela frente alguns desafios.
Os inarredáveis: preservar o legado de Caiado, modernizar a administração, ampliar a saúde regionalizada, industrializar e diversificar a economia do Estado, fortalecer a infraestrutura e dar mais atenção aos municípios, não privatizar a Saneago, consolidar a percepção de segurança entre os goianos.
Este último item tem peso simbólico especial. Se deixar cair a percepção (não só na realidade), Caiado voltará à cena como um peso fatal sobre sua imagem.
A segurança será sempre uma linha de anzol para lambari segurando (opa) o velho e o novo: o que os governos de Caiado representaram e o que o governo de Daniel pretende ser na vida goiana.
Daniel terá, acima de tudo, de consolidar sua liderança política, se quiser se estabelecer. Vencer o teste da transição dos ciclos.
Em perspectiva, o ciclo que termina com Caiado – liderado por nomes expressivos como o seu próprio pai, Maguito Vilela – e o ciclo que vem agora, com novas lideranças assumindo o protagonismo da política goiana.
Goiás está zerado de grandes líderes. Há promessas.
A esquerda não tem nome de projeção. Os conhecidos são desabonados pelo passado. A oposição não tem quem lhe faça jus. A terceira via, sempre com a ameaça de se estabelecer, não existe.
O governo, por ora, tem Daniel. E Caiado, como pano de fundo: volta ou não volta em 2030?
Não quer dizer que nomes eleitos este ano não possam despontar e se firmar no panteão dos grandes. Quer dizer que, por ora, não são mais do que mandatários. Entre eles, o governador.
Tudo anotado, resta-nos acompanhar como será Daniel Vilela governador além das promessas e da carta de intenções da campanha.
O tempo dirá.
Por: Portalgo