Atriz de teatro e TV com mais de cinco décadas de carreira, Eliana Rocha morreu aos 82 anos nesta terça-feira (3), em São Paulo. Conhecida do grande público como a Luz Divina da série humorística “Pé na Cova”, ela teve a morte confirmada pela família, que preferiu não divulgar a causa, e será velada na quarta-feira (4), às 11h, no Funeral House Pacaembu.
Quem foi Eliana Rocha e qual seu papel em ‘Pé na Cova’?
Eliana Rocha foi uma atriz santista, formada em Direito e em Teatro, que construiu uma trajetória sólida sobretudo nos palcos, com mais de 30 peças no currículo, e uma presença constante na televisão brasileira. Nascida em Santos (SP), mudou-se para a capital paulista, onde também atuou como revisora e preparadora de textos, mantendo sempre o teatro como centro da vida profissional.
Na TV, ganhou projeção nacional ao viver Luz Divina em “Pé na Cova”, série humorística criada por Miguel Falabella e exibida entre 2013 e 2016. A personagem, esquizofrênica, misturava fragilidade e humor ácido e rapidamente virou uma das figuras mais lembradas da trama. Foi esse papel que Falabella resgatou ao anunciar a morte da amiga: “Apagou-se nossa Luz Divina, uma atriz cheia de recursos, uma colega generosa e consciente. Descanse em paz, guerreira! Obrigado por tantos momentos inesquecíveis!”, escreveu o ator.
Antes de conquistar o grande público na série, Eliana já era um nome respeitado no circuito teatral paulistano. Em 1974, participou da fundação da Royal Bexiga’s Company ao lado de Jandira Martini, Ney Latorraca e outros artistas, companhia que se tornou referência em renovação cênica e humor nos palcos.
Carreira na TV, no teatro e no mercado editorial
Além de “Pé na Cova”, Eliana Rocha integrou elencos de novelas como “Meu Bem, Meu Mal”, “Marisol”, “Chiquititas” e “Razão de Viver”, além de participações em produções como “Negócio da China”, “Toma Lá, Dá Cá” e a série “Eu, a Vó e a Boi”, seu último trabalho na televisão.
Nos palcos, acumulou mais de 30 montagens em gêneros variados, do drama à comédia, e era vista por colegas como uma atriz precisa, com forte domínio de texto e de tempo cênico. O ator Emilio Orciollo Netto, que contracenou com ela nos palcos, lembrou a parceria: “Tive a honra de trabalhar com ela na peça A Graça da Vida. Descanse em paz”.
Paralelamente à atuação, manteve carreira no ramo editorial. Trabalhou na preparação de originais e como colaboradora em livros, entre eles a autobiografia “50, EU?”, do jornalista Zeca Camargo. Também escreveu a biografia do ator Marcos Caruso, ampliando sua contribuição para a memória do teatro e da TV ao registrar a trajetória de colegas.
Quando e como morreu a atriz Eliana Rocha?
Eliana Rocha morreu aos 82 anos nesta terça-feira (3), em São Paulo, e a família não informou a causa da morte. A notícia foi tornada pública por Miguel Falabella, que publicou uma homenagem nas redes sociais e comunicou o falecimento aos fãs e à classe artística.
No comunicado divulgado pela família, os parentes se despediram destacando o afeto e a dedicação da atriz à arte e aos amigos: “Amigos queridos de tantas histórias, convívios, de cena e de camarins, nossa querida e amada Eliana hoje faleceu. Mulher determinada, amiga leal, artista apaixonada pelo teatro, mãe e avó amorosa”.
As homenagens a Eliana serão realizadas nesta quarta-feira (4), às 11h, no Funeral House Pacaembu, na capital paulista. A expectativa é de presença de colegas de teatro e televisão, admiradores e familiares.
Repercussão entre colegas e legado artístico
A morte de Eliana Rocha mobilizou rapidamente artistas de diferentes gerações, que usaram as redes sociais para se despedir da atriz e lembrar seu trabalho. A colega de elenco em “Pé na Cova” Fabiana Karla escreveu: “Deus a receba em bom lugar”. Diogo Vilela, que também contracenou com ela no humorístico, desabafou: “Poxa, uma amiga e atriz maravilhosa! Estou muito triste”.
Marcos Caruso, de quem Eliana escreveu a biografia, também se manifestou: “Grande amiga, grande atriz, aplausos pelos risos e emoções que tivemos pela tua arte. Descanse em paz!”. Ao recordar anos de convivência, os depoimentos ressaltam não só o talento, mas a generosidade em cena e fora dela.
No meio artístico, a avaliação é de que sua morte representa uma perda importante para o teatro e a televisão brasileiros, especialmente num momento em que a presença de atores veteranos é cada vez mais cobrada em elencos. Ao mesmo tempo, a comoção deve impulsionar um novo olhar sobre sua obra — tanto nos palcos quanto na TV e no mercado editorial —, servindo de referência para jovens atores, diretores e pesquisadores interessados na história recente das artes cênicas no país.
Quais outras obras marcaram a trajetória de Eliana Rocha?
Além de Luz Divina em “Pé na Cova”, Eliana Rocha construiu carreira marcada por diversidade de papéis. Na TV, passou por tramas de diferentes emissoras em títulos como “Meu Bem, Meu Mal”, “Marisol”, “Chiquititas” e “Razão de Viver”, além de participações em humorísticos e séries como “Toma Lá, Dá Cá”, “Negócio da China” e “Eu, a Vó e a Boi”.
No teatro, seu trabalho em mais de 30 peças ajudou a consolidar a Royal Bexiga’s Company como um dos grupos mais influentes de sua geração em São Paulo. A produção como autora e preparadora de textos — incluindo a autobiografia de Zeca Camargo e a biografia de Marcos Caruso — completa um percurso que atravessa atuação, bastidores e registro da memória cultural.
Entenda o contexto
A trajetória de Eliana Rocha exemplifica o papel de artistas que, mesmo longe do rótulo de celebridade constante, sustentam a engrenagem do teatro e da televisão por décadas. Entre elencos, companhias e projetos editoriais, ela transitou por várias frentes da produção cultural, ampliando o alcance do próprio trabalho e o de colegas.
Com a morte da atriz, companhias teatrais e produções que contavam com sua experiência perdem uma voz ativa, enquanto sua obra tende a ganhar nova visibilidade em retrospectivas, estudos e homenagens. Para amigos e parceiros de cena, a ausência pesa sobretudo pela convivência diária; para o público, fica registrada uma galeria de personagens que ajudaram a contar, com humor e emoção, parte da história recente da dramaturgia brasileira.
Por: Ncnews