Ler no aplicativo
Interestelar (2014) nasceu como um projeto idealizado para ser dirigido por Steven Spielberg, mas acabou se consolidando como um dos filmes mais aclamados de Christopher Nolan. Hoje, é difícil imaginar a produção sem a assinatura do cineasta responsável por A Odisseia (2026). O longa recebeu elogios da crítica e do público, mas há um detalhe que merece ser lembrado: uma de suas cenas mais importantes parece ter sido inspirada diretamente em O Enigma do Horizonte (1997).
O Enigma do Horizonte já explicava o conceito antes de Interestelar
A cena em questão apresenta uma explicação de como funcionam os buracos de minhoca. Em Interestelar, os personagens recorrem a uma folha de papel para demonstrar como seria possível conectar dois pontos distantes do espaço. A ideia é simples e facilita a compreensão de um conceito complexo para quem não tem familiaridade com a física.
O detalhe é que uma explicação muito semelhante já havia aparecido 17 anos antes em O Enigma do Horizonte, considerado por muitos o melhor trabalho do diretor Paul W.S. Anderson. O filme sofreu um fracasso comercial quando chegou aos cinemas, mas sua popularidade cresceu ao longo dos anos, transformando-o em um clássico cult da ficção científica e do terror.
Na produção de 1997, o personagem interpretado por Sam Neill utiliza uma fotografia para explicar aos colegas de tripulação a lógica por trás dos buracos de minhoca. Assim como acontece no longa de Nolan, a demonstração mostra como dois pontos aparentemente distantes podem se aproximar quando o espaço é dobrado. A abordagem é praticamente a mesma, embora apresentada em um contexto mais descontraído.
Paramount Pictures
A semelhança acabou se tornando uma curiosidade entre cinéfilos e até ganhou uma referência no Universo Cinematográfico da Marvel. Em Thor: Amor e Trovão, Jane Foster, personagem de Natalie Portman, menciona os dois filmes ao tentar explicar de maneira acessível o funcionamento dos buracos de minhoca.
É importante destacar, porém, que Interestelar inovou ao representar visualmente esses fenômenos com base em cálculos científicos e na consultoria do físico teórico Kip Thorne. A semelhança entre as cenas diz respeito à maneira didática de explicar o conceito, e não significa, por si só, que Nolan tenha copiado deliberadamente a obra anterior.
A ideia de dobrar o espaço já apareceu em outras obras
A explicação utilizada em O Enigma do Horizonte também não surgiu necessariamente com o filme de Paul W.S. Anderson. Em Peggy Sue – Seu Passado a Espera (1986), dirigido por Francis Ford Coppola, uma analogia envolvendo um burrito dobrado é usada para ilustrar como o tempo poderia ser curvado para aproximar dois pontos.
Algo semelhante aparece no livro O Restaurante no Fim do Universo (1980), de Douglas Adams, que apresenta uma explicação relacionada à ponte de Einstein-Rosen, conceito teórico associado aos buracos de minhoca.

6 de novembro de 2014
|
2h 49min
Christopher Nolan
Matthew McConaughey,
Anne Hathaway,
Michael Caine
Assistir em streaming
Portanto, embora Interestelar tenha se destacado pela representação visual cientificamente fundamentada de um buraco de minhoca, a estratégia de recorrer a objetos cotidianos para tornar esse fenômeno compreensível já fazia parte da ficção científica muito antes do filme de Christopher Nolan. Nesse aspecto, o roteiro escrito pelo diretor em parceria com seu irmão, Jonathan Nolan, retomou uma abordagem que outras obras já haviam explorado.
Interestelar está disponível na HBO Max.
Por: Adorocinema