O portal de notícias dos goianos!

Prédio que desabou no Brás não tinha laudo de vistoria, diz Corpo de bombeiros

O Corpo de Bombeiros informou que o prédio de quatro andares que desabou no final da tarde desta sexta-feira (06) na altura do número 192 da Rua Maria Joaquina, no Brás, região central de São Paulo, não possuía Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) regular. A reportagem não localizou os proprietários do imóvel.

Às 22h30, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros suspenderam os trabalhos por causa do risco de novos desabamentos. O local está totalmente isolado. Informações iniciais indicam que uma loja de roupas funcionava no prédio. Na última atualização da ocorrência, à 0h21 do sábado (07) o Corpo de Bombeiros informou que 13 viaturas permaneciam no local removendo os escombros em buscas de vítimas.

De acordo com a capitã Karoline Magalhães, porta-voz do Corpo de Bombeiros, 35 pessoas estavam dentro do imóvel, sendo que oito conseguiram sair antes da chegada da corporação. Os 27 que permaneceram no imóvel foram resgatados. Quatro deles foram encaminhados à UPA da Mooca com ferimentos leves e quadro estável.

As causas do desabamento ainda não foram esclarecidas. A prioridade agora é verificar e confirmar que não há outras vítimas no imóvel. Para isso, cães farejadores foram destacados para atuar no local.

Imagens mostram o local sob uma pilha de escombros, concreto quebrado e metal retorcido. Apenas a estrutura da fachada segue de pé. O secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, disse que conversou com a dona da loja – a mulher seria chinesa e não teve a sua identidade revelada.

“Ela recebeu dois contêineres. Um foi descarregado de manhã e ela levou para cima do imóvel. Depois das 18 horas, começaram a descarregar o outro, por isso tinham 35 pessoas no local. A perícia ainda vai apontar, mas a queda começou no mezanino, em cima, onde ela colocou muito peso”, disse.

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) também afirmou que a principal hipótese é o excesso de peso na estrutura do prédio.

“A grande suspeita, a se confirmar ainda, é de excesso de peso. Muitos caminhões chegaram nesse local para armazenar tecido, e o excesso de peso pode ter ocasionado o desmoronamento”, disse.

Vítimas do desabamento contaram como presenciaram o colapso da estrutura por dentro e relataram os minutos de desespero que viveram enquanto aguardavam o resgate dos bombeiros. “Foi um milagre. O prédio começou a desmoronar da frente para trás e foi até a metade. E a gente estava no fundo”, disse um trabalhador que se identificou apenas como Wesley. “Foi do nada, coisa de um segundo.”

Paulo Fernandes, de 25 anos, contou que os tecidos armazenados no imóvel ajudaram a sustentar parte da estrutura que desabava. “Se não fosse por isso, a gente tinha morrido.”

Os bombeiros foram acionados por volta das 18h40. A corporação informou que mobilizou 51 homens e 17 viaturas até o local.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) precisou bloquear a Rua Maria Joaquina, a Rua Xavantes com a Rua Mendes Jr. e a Rua Oriente com a Rua Xavantes. Trata-se de um dos principais centros de comércio popular da capital paulista.

Segundo caso em menos de 60 dias

Trata-se do segundo caso de desmoronamento com gravidade na capital em menos de 60 dias. Em 12 de setembro, seis pessoas morreram, incluindo uma criança, após o desabamento de um prédio em construção sobre uma casa na Penha, também na zona leste paulistana.

Um homem apontado como sócio-proprietário oculto da construtora responsável pela construção do edifício foi preso temporariamente. Outros dois mandados de prisão temporária foram expedidos contra representantes da empresa, que chegou a ter seus empreendimentos bloqueados na cidade.

O engenheiro Fabio José de Oliveira, que vistoriou o prédio que desabou, identificou falhas graves e risco de colapso na construção, conforme depoimento prestado à Controladoria-Geral do Município de São Paulo (CGM) em 18 de setembro. A liberação da obra pela fiscalização municipal se tornou alvo de investigação.

Por: Jovempan