Na última semana a Europa registrou ao menos 30 ameaças de bomba em voos, e pelo menos seis voos comerciais precisaram ser submetidos a procedimentos de segurança na França e na Itália. Os alertas provocaram desvios de rota, escolta por caças, inspeções policiais e mobilização de equipes especializadas em explosivos, entretanto, nenhum explosivo foi localizado. As falsas ameaças de bomba perturbam o tráfego aéreo europeu há vários dias, causam atrasos ou forçam a mobilização de caças para escoltar aeronaves civis.
Além das ameaças em voos, um cruzeiro também reportou uma situação similar, assim como alguns veículos de imprensa, como a emissora britânica Sky News, o irlandês o RTÉ e a francesa TF1. Até o momento, nenhum grupo reivindicou a autoria das ameaças, mas o governo irlandês considerou “provável” que façam parte de uma “campanha coordenada destinada a provocar perturbações”.
A incerteza sobre seus autores torna ainda mais difícil encontrar uma resposta, contudo, há meses, os europeus denunciam um aumento das operações de desestabilização, que atribuem à Rússia e ao Irã, seja mediante campanhas de desinformação, sabotagens, ciberataques ou atentados.
“A Otan continua supervisionando a situação e em coordenação estreita com os aliados”, comentou a organização transatlântico.
Agências de segurança europeia estão analisando se as ameaças têm ligação com a Rússia.
Ameaças associadas ao ‘Estado Masculino’
Apesar das desconfianças europeias, o fundador do “Estado Masculino”, um movimento masculinista russo proibido em 2021 por “extremismo”, negou, na sexta-feira (6), qualquer ligação com as falsas ameaças de bomba que vêm se multiplicando na Europa. Algumas organizações afetadas pelas ameaças, como os aeroportos de Birmingham, Roma e Sófia, receberam mensagens assinadas por supostos “combatentes do Estado Masculino”.
Em resposta a perguntas de jornalistas, o fundador do movimento, Vladislav Pozdniakov, afirmou no Telegram que o grupo “simplesmente não existe desde 2021”, ano em que foi proibido pelas autoridades russas.
“Aqueles que hoje organizam provocações em território de países da União Europeia [em nome deste movimento] agem por interesse próprio e limitam-se a usar uma bandeira que não lhes pertence”, acrescentou.
O “Estado Masculino” foi fundado em 2016 por Vladislav Pozdniakov, blogueiro e treinador esportivo, inicialmente como uma comunidade na rede social russa VK. Posteriormente, adquiriu um caráter semipolítico, com uma ideologia que combinava misoginia e nacionalismo.
O movimento, que nunca teve grande envergadura, era conhecido sobretudo por suas campanhas de assédio online, até que as autoridades russas o declararam “extremista” e o proibiram em 2021.
As ameaças, entretanto, não são algo novo. Em 2023, escolas na Itália soram alvo de mais de 1.500 ameaças de bomba infundadas, em uma campanha que tinha como objetivo aterrorizar r abalar a confiança na comunicadas e nas forças de ordem .
Por: Jovempan