
A morte de uma menina de 9 anos e a internação do irmão, de 8, em Alto Horizonte, no norte de Goiás, foram confirmadas como resultado de envenenamento, após conclusão do inquérito conduzido pela Polícia Civil. O caso, registrado no fim de março, inicialmente era tratado como suspeita e dependia de exames periciais.
As duas crianças passaram mal logo após uma refeição em família, apresentando sintomas como taquicardia e sudorese. Elas foram levadas ao hospital municipal, mas a menina não resistiu e morreu horas depois. O irmão foi transferido para o Hospital Estadual do Centro-Norte Goiano, em Uruaçu, onde recebeu atendimento e sobreviveu. A mãe também precisou de cuidados médicos. Já o padrasto apresentou apenas sintomas leves, o que levantou suspeitas ainda no início da investigação.
Com o avanço das apurações, a polícia confirmou que o alimento estava contaminado com terbufós, substância conhecida popularmente como “chumbinho”. O padrasto foi indiciado por feminicídio triplamente qualificado no caso da menina e por tentativa de homicídio, também triplamente qualificada, contra o menino. A mãe das vítimas foi indiciada por omissão imprópria, por não ter impedido o crime mesmo diante de indícios de risco.
Durante perícia na residência, foram encontrados vestígios do veneno em uma panela com arroz, além de resíduos no lixo misturados a restos de comida. Quatro gatos da família também foram encontrados mortos, e exames confirmaram intoxicação pela mesma substância.
Em depoimento, o padrasto afirmou ter preparado a refeição, informação que foi reforçada por imagens de câmeras de segurança. As gravações indicam ainda que ele não consumiu o alimento, o que coincide com o resultado negativo no exame toxicológico. Apesar disso, ele nega ter colocado veneno na comida.
A investigação também apontou um histórico de conflitos no relacionamento. A mãe relatou que era dopada pelo companheiro e que já desconfiava de possível envenenamento, chegando a exigir que ele provasse a comida antes de servi-la. Um vídeo encontrado no celular dela mostra o investigado em aparente descontrole emocional, com falas consideradas relevantes para o caso.