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Operação em Goiás investiga associação suspeita de distribuir maconha “skunk” entre diferentes estados

Uma investigação conduzida pela Polícia Civil de Goiás apura a atuação de uma associação suspeita de usar a estrutura de empresas ligadas à cannabis medicinal para distribuir maconha com alto teor de THC a consumidores de diferentes estados. A Operação Cannabis Faria Lima foi deflagrada nesta terça-feira (15) pela Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denarc), com participação das polícias civis da Bahia, São Paulo, Minas Gerais e Paraná.

O caso chegou ao conhecimento das autoridades depois que os Correios interceptaram uma encomenda destinada a Catalão, em Goiás. Os produtos eram anunciados como “OG Kush” e “Strawberry Kush”, mas exames periciais identificaram as flores como maconha.

O destinatário contou aos investigadores que havia adquirido o material por meio de uma plataforma após realizar uma consulta médica pela internet. Segundo o relato, o pagamento foi feito diretamente à empresa. A partir dessa apreensão, outras remessas passaram a ser investigadas e também foram localizadas cargas com drogas, incluindo aproximadamente 2,245 quilos de skunk e uma encomenda enviada para Goiânia contendo skunk e derivados.

Segundo a Denarc, a estrutura investigada teria funções divididas entre os envolvidos. A plataforma seria responsável por atrair consumidores, encaminhá-los para consultas, oferecer os produtos disponíveis e receber os pagamentos. Uma associação, por sua vez, teria como principal função preparar e enviar as encomendas.

Informações fornecidas pelos Correios apontam que a entidade realizou 2.870 remessas em cerca de um ano. Desse total, 137 encomendas tiveram Goiás como destino, distribuídas entre 18 municípios. A lista inclui Goiânia, Aparecida de Goiânia, Catalão, Anápolis, Trindade e Senador Canedo.

A investigação também apura a forma como as compras eram formalizadas. Conforme a polícia, consumidores eram encaminhados a profissionais previamente indicados para conseguir prescrições usadas nas aquisições. Documentos e decisões judiciais teriam sido colocados junto a algumas encomendas como forma de conferir aparência de legalidade às operações.

Ainda de acordo com a Denarc, a empresa investigada e seu sócio não possuíam autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para exercer as atividades relacionadas aos produtos.

Por decisão judicial, a operação cumpre cinco prisões temporárias e 14 mandados de busca. Também foram autorizados o acesso a dados de celulares, o sequestro de bens avaliados em até R$ 4 milhões e o bloqueio de perfis e sites ligados à investigação.

O inquérito apura, em tese, os crimes de tráfico interestadual de drogas e associação para o tráfico.