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Rio Meia Ponte, em Goiânia, entra em nível crítico, mas não há previsão de racionamento

O Rio Meia Ponte entrou no Nível Crítico 1 devido à redução do volume de água no ponto de controle da captação da Saneago, em Goiânia. A classificação foi oficializada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) em portaria publicada no Diário Oficial de Goiás nesta quarta-feira (23).

Apesar do enquadramento, o Nível Crítico 1 não prevê redução imediata da captação nem racionamento. A Saneago informou que o abastecimento da capital continua dentro da normalidade e atende à demanda da população.

A classificação foi definida após uma apuração da Superintendência de Recursos Hídricos e Informações Ambientais. No sábado (19), o órgão registrou vazão de 5.376 litros por segundo. O resultado ficou abaixo do limite de 5.500 litros por segundo estabelecido para o Nível Crítico 1 e manteve a média móvel de sete dias abaixo dessa marca.

Na terça-feira (22), o sistema de monitoramento do Rio Meia Ponte apontou vazão diária de 3.847,3 litros por segundo, o menor índice registrado em 2026. Esse dado, porém, não altera automaticamente a classificação.

Pelas regras do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Meia Ponte, depois da definição de um nível, uma nova classificação só pode ser estabelecida após sete dias. O cálculo também leva em conta a média móvel das medições realizadas durante esse período, e não apenas o resultado de um único dia.

Os dados consolidados de 22 de setembro indicavam média móvel de 4.633,7 litros por segundo. O relatório mostrava ainda que a região acumulava 15 dias consecutivos sem chuva.

A vazão diária registrada na terça-feira se aproximava da média histórica para a mesma data, de 3.808,9 litros por segundo. O resultado permanecia acima dos patamares mais severos enfrentados em 2019, quando foram registrados 1.903 litros por segundo, e em 2021, com 1.958 litros por segundo.

O que acontece no Nível Crítico 1?

A classificação é acionada quando a vazão do rio fica igual ou inferior a 5.500 litros por segundo no ponto de controle da captação em Goiânia. Nesse estágio, devem ser mantidas e ampliadas as campanhas de conscientização sobre o uso racional da água, as reuniões com os usuários da bacia e as ações de fiscalização e orientação. Não existe uma determinação de redução imediata do volume captado pelos usuários.

Para o abastecimento da Região Metropolitana de Goiânia, a captação deve ser mantida em 2 mil litros por segundo. A Saneago também deverá apresentar aos órgãos reguladores um plano de racionamento, considerando a possibilidade de redução futura dos volumes captados caso exista necessidade operacional. A apresentação do plano não significa que o racionamento será adotado neste momento.

A companhia informou que Goiânia conta com três sistemas produtores, abastecidos por dois mananciais. Atualmente, 64% da capital recebe água do Ribeirão João Leite e 36% é atendida pelo Rio Meia Ponte.

A barragem do Ribeirão João Leite estava com 83% de sua capacidade. Os sistemas são interligados, permitindo que a água armazenada no João Leite também seja utilizada para reforçar áreas atendidas pelo Meia Ponte, caso a vazão do rio continue diminuindo.