Espanhol explica mudança de comportamento nas comemorações e revela estratégia para controlar adrenalina e preservar energia durante finais de semana
Marc Márquez chamou a atenção nas últimas etapas da MotoGP por uma característica incomum: mesmo quando os resultados são positivos, o espanhol tem demonstrado pouca emoção nas comemorações.
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A postura, porém, não significa insatisfação. Faz parte de uma estratégia adotada pelo piloto da Ducati para controlar os níveis de adrenalina e preservar energia ao longo dos fins de semana.
“Não estou sério, estou economizando energia”, explicou Márquez ao Motorsport.com depois de ser questionado sobre seu comportamento nas cerimônias de premiação.
A mudança ficou evidente nas duas últimas sprints. Na Áustria, Márquez terminou em segundo e permaneceu praticamente impassível ao receber sua medalha. A reação poderia ser interpretada como frustração por não ter vencido, mas a teoria perdeu força no Japão: mesmo depois de ganhar a sprint em Motegi, o #93 voltou a apresentar uma postura bastante contida.
“Não é que rir canse. O que cansa, e cansa muito, são as mudanças nas emoções. Vencer não muda minha atitude, continuo concentrado”, explicou o espanhol depois da vitória no sábado japonês.
A postura é resultado de uma transformação que vai além da preparação física. Márquez precisou adaptar diversas vezes sua rotina ao longo dos últimos anos por causa das operações no braço direito e, mais recentemente, voltou a modificar seus métodos depois da cirurgia no ombro direito, consequência do acidente sofrido na Indonésia no ano passado.
Agora, o espanhol também direciona sua atenção ao desgaste mental provocado por um fim de semana de MotoGP. Desde aproximadamente o GP da Grã-Bretanha, em agosto, uma de suas prioridades passou a ser administrar a energia disponível desde o início das atividades até a corrida de domingo.
“Fisicamente, você consegue administrar porque estamos preparados para pilotar uma moto e, por exemplo, um dia de testes na Malásia é muito mais duro nesse aspecto. Mas, durante os GPs, a adrenalina sobe muito e depois cai de repente”, afirmou.
O formato atual da MotoGP torna essa administração especialmente importante aos sábados. Os pilotos disputam a classificação pela manhã e, poucas horas depois, precisam voltar à pista para a sprint, criando sucessivos momentos de alta tensão antes mesmo da corrida principal de domingo.
“Você precisa entrar na classificação e a adrenalina sobe. Mas, quando termina, obviamente ela volta a cair. Depois acontece a mesma coisa na sprint”, explicou Márquez.
“Esses altos e baixos emocionais são o que exigem muita energia. Porque depois de um pico de adrenalina vem uma queda. E é isso que estou tentando controlar, para que a linha permaneça o mais estável possível.”
A abordagem também ajuda a explicar algumas das escolhas feitas pelo piloto fora da pista. Em Motegi, por exemplo, a MotoGP organizou uma corrida de kart na manhã de domingo e convidou todo o grid para participar. Márquez não compareceu e enviou um substituto enquanto tratava o braço com gelo.
“Eu estava tratando o ombro com gelo; não podia ir. Nesses momentos, você precisa ser egoísta e render ao máximo quando realmente importa, que é durante as corridas”, justificou.
A decisão resume a nova filosofia adotada por Márquez. Depois de anos marcados por lesões e procedimentos cirúrgicos, o piloto procura evitar qualquer gasto de energia que considere desnecessário durante um fim de semana de competição.
Essa postura ganha ainda mais importância em meio à disputa pelo campeonato. Apesar de afirmar que conquistar seu 10º título mundial não mudaria sua vida, Márquez reconhece que nunca fez tantos sacrifícios para alcançar um objetivo.
Por isso, a expressão séria vista mesmo depois de vitórias não representa falta de satisfação. É parte de um método pensado para evitar picos e quedas de adrenalina, conservar energia e garantir que seu melhor desempenho esteja disponível no momento que considera realmente decisivo: quando as motos estão na pista.
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Por: Motorsport.uol