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Morre Jomard Muniz de Britto, referência do cinema experimental brasileiro, aos 89 anos

O escritor e cineasta Jomard Muniz de Britto morreu na madrugada desta segunda-feira (12), aos 89 anos, no Recife. Referência do cinema experimental brasileiro e um dos precursores do tropicalismo em Pernambuco, ele estava internado na UTI de um hospital particular da capital.

Segundo a jornalista Terezinha Nunes, em relato reproduzido pelo Metrópoles, Jomard enfrentava uma infecção respiratória grave nos pulmões. Ele também convivia com a doença de Parkinson.

O velório e o sepultamento foram anunciados para esta segunda-feira, na capela do Cemitério de Santo Amaro, no Recife. Os horários não foram informados no material divulgado.

Ao longo da carreira, Jomard realizou mais de 30 filmes e vídeos, publicou livros e escreveu peças de teatro. Sua trajetória também passou pelas universidades e pela gestão cultural.

Jomard foi um dos autores do Manifesto Tropicalista de 1968 e integrou a chamada Geração Super-8, que marcou o cinema experimental brasileiro nas décadas de 1970 e 1980.

O formato de película de 8 milímetros abriu espaço para uma produção que explorava outras maneiras de filmar e discutir a cultura. Entre suas obras estão “O Palhaço Degolado” e “Inventário de um Feudalismo Cultural”, associadas ao questionamento de convenções e referências da cultura regional.

Em nota de pesar, a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) destacou a liberdade criativa e a experimentação presentes em seu trabalho.

“Figura inquieta e transgressora, Jomard construiu uma obra marcada pela experimentação, pela liberdade criativa e pelo questionamento das convenções”, afirmou a instituição.

A Fundarpe também recordou uma homenagem recente à produção do cineasta. Em 2025, cinco de seus filmes em Super-8, digitalizados e restaurados, foram exibidos no Cinema São Luiz, durante o festival Janela Internacional de Cinema do Recife.

A mostra levou parte de sua obra novamente ao público, décadas depois do período em que essas experiências ajudaram a construir sua presença no audiovisual pernambucano.

Além dos filmes, a escrita e o teatro fizeram parte de sua atuação. As notas divulgadas após a morte ressaltaram essa circulação entre diferentes linguagens artísticas.

Jomard lecionou na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Segundo a reportagem, foi afastado dos cargos em consequência da repressão do regime militar.

Também assumiu a Secretaria de Cultura do Recife, após uma eleição direta realizada em 1985 entre representantes e participantes da vida cultural da cidade.

A Secretaria de Cultura e a Fundação de Cultura Cidade do Recife lamentaram sua morte e destacaram sua defesa das liberdades individuais, coletivas e culturais. As instituições lembraram a obra que ele construiu em livros, peças, filmes e vídeos.

Por: francesnews.com.br