O diagnóstico de câncer de pulmão do papa Leão 14, confirmado após uma cirurgia no Hospital Gemelli, em Roma, levantou perguntas sobre a doença, o tratamento e o futuro do pontificado. O Vaticano informou que o tumor é um adenocarcinoma pulmonar, que a operação foi bem-sucedida e que novos exames devem indicar se houve disseminação. Abaixo, o que se sabe até agora.
O que é o adenocarcinoma pulmonar
O adenocarcinoma é um câncer que se origina nas células responsáveis pela produção de muco nos pulmões. É a forma mais comum de câncer de pulmão e tem uma característica que costuma surpreender: é o tipo mais frequente entre pessoas que nunca fumaram. Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), de 50% a 60% dos cânceres de pulmão diagnosticados em não fumantes são adenocarcinomas.
No caso do papa, não há informação de que ele fume ou tenha tido problemas graves de saúde. Aos 71 anos, Leão 14 é considerado jovem para um pontífice e é conhecido por gostar de esportes, como o tênis.
Como a doença foi descoberta
O tumor apareceu como um nódulo pulmonar em exames de rotina. Nódulos são pequenas lesões mais densas que o tecido do pulmão e aparecem como manchas brancas na tomografia, o que popularmente se chama de “sombra” ou “mancha no pulmão”.
Na maioria das vezes, essas lesões são benignas. A Sociedade Torácica Americana estima que menos de 5% dos nódulos pulmonares sejam cancerígenos, e o risco aumenta com a idade, com o tamanho da lesão e com fatores como o tabagismo. Por isso, a descoberta precoce, em um exame de rotina, é considerada um fator favorável. O próprio papa afirmou, ao anunciar a cirurgia, que o nódulo havia sido detectado “em uma fase muito inicial” e estava “bem localizado”.
O que foi feito na cirurgia
Os médicos retiraram o lobo inferior do pulmão direito, uma das partes em que o órgão se divide. A remoção de um lobo inteiro, chamada lobectomia, foi feita, segundo a equipe, “para garantir uma remoção total” do tumor. O procedimento usou uma técnica assistida por vídeo, menos invasiva do que a cirurgia aberta, porque é feita por pequenas incisões no tórax.
A análise do tecido durante a operação confirmou o que os exames anteriores já indicavam. “Um exame histológico intraoperatório confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar, como suspeitado nos exames pré-operatórios”, disseram os cirurgiões Luigi Carbone e Stefano Margaritora.
A cirurgia durou cerca de 90 minutos, embora o papa tenha ficado aproximadamente três horas no centro cirúrgico. Não houve complicações.
O que ainda falta saber
O ponto central agora é o resultado dos exames complementares. Segundo uma fonte do Vaticano ouvida pela agência AFP, eles vão verificar se há sinais de que o câncer se espalhou. É essa informação que deve definir se o tratamento termina com a cirurgia ou se o papa precisará de outras terapias.
A recuperação da operação deve levar cerca de uma semana.
A agenda do papa
Leão 14 cancelou os compromissos públicos até 20 de outubro, e a missa desta quarta-feira (14) na Praça de São Pedro passou para o cardeal Luis Antonio Tagle. A dúvida maior é a viagem marcada para o Uruguai, a Argentina e o Peru, entre 6 e 17 de novembro. O roteiro inclui vários voos, deslocamentos de helicóptero e visitas a locais de grande altitude no Peru, condição que exige mais do sistema respiratório.
Quem governa a Igreja enquanto o papa se recupera
O papa é chefe de Estado do Vaticano e a autoridade máxima da Igreja Católica, que reúne 1,4 bilhão de fiéis. Diferentemente de um presidente, ele não tem vice nem substituto automático. Enquanto estiver afastado, a estrutura administrativa do Vaticano continua funcionando, mas as decisões que dependem da aprovação papal costumam ficar em espera.
Só em caso de renúncia ou morte do papa entra em cena o decano do Colégio dos Cardeais, hoje o filipino Luis Antonio Tagle, responsável por convocar o conclave que elege o sucessor.
Um hospital marcado pela história dos papas
O Gemelli, hospital universitário ligado à Universidade Católica do Sagrado Coração, tem uma suíte reservada aos pontífices no 10º andar, com capela privativa. Desta vez, Leão 14 ocupa um quarto próximo, porque o apartamento papal está em reforma.
O antecessor, Francisco, foi atendido no hospital várias vezes antes de morrer, em abril de 2025, depois de um longo período com problemas respiratórios. João Paulo 2º passou tanto tempo internado ali que apelidou o Gemelli de “Vaticano 3º”, ao lado do próprio Vaticano e de Castel Gandolfo, a residência de verão dos papas.
Por: francesnews.com.br