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Egito FC: fazendeiro descobre estátuas de Ramsés II e é premiado

Uma pedra de granito rosa enterrada no meio de uma plantação no vilarejo de Behbeit el-Hagar, no delta do Nilo, levou à descoberta de duas estátuas colossais atribuídas ao faraó Ramsés II e rendeu ao fazendeiro egípcio Khaled el-Shahat Khalil uma homenagem oficial do governo.

As peças vieram à tona nesta semana, após Khalil avisar as autoridades sobre o bloco de granito em sua propriedade, na província de Gharbia. Na quarta-feira (14), o ministro do Turismo e Antiguidades, Sherif Fathy, foi pessoalmente à vila para agradecer o agricultor, que ganhou certificados de reconhecimento e uma viagem para fazer a Umrah, peregrinação islâmica à cidade sagrada de Meca, junto com a esposa.

Onde foram encontradas as estátuas de Ramsés II no Egito?

As estátuas atribuídas a Ramsés II foram localizadas em uma propriedade rural em Behbeit el-Hagar, um vilarejo no delta do Nilo, na província de Gharbia. O sítio fica em uma área já conhecida por abrigar vestígios arqueológicos e as ruínas de um grande templo dedicado à deusa Ísis, o que reforça a importância histórica da região no mapa do Egito antigo.

Apesar disso, a descoberta de esculturas de grandes dimensões associadas a Ramsés II não era esperada ali. Para os arqueólogos, o achado indica que o poder e a presença do faraó podem ter sido mais fortes na região do delta do que se imaginava, o que deve atrair novas missões de pesquisa e atenção do turismo histórico.

Como foi feita a descoberta das estátuas enterradas por um fazendeiro no Egito?

A sequência começou quando Khaled el-Shahat Khalil notou um grande bloco de granito rosa enterrado em sua terra. Em vez de retirar a pedra por conta própria, ele comunicou o achado ao Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, órgão responsável pela proteção do patrimônio histórico.

Uma missão de resgate foi enviada ao local e iniciou escavações em torno do bloco, que tem cerca de 1,3 metro de comprimento. A peça revelou inscrições em hieróglifos com títulos associados a Ramsés II, como Nesu-Bity (Rei do Alto e do Baixo Egito) e Sa-Ra (Filho de Rá), confirmando que o material estava ligado ao faraó.

A partir daí, os arqueólogos ampliaram a área de escavação e encontraram a cabeça de uma estátua com aproximadamente 1,6 metro de altura, representando Ramsés II com a coroa da unificação do Alto e do Baixo Egito. Também localizaram a parte superior da coluna posterior da escultura, com o nome de Hórus do faraó: Hor Ka Nakht Mery-Maat, traduzido como “Hórus, touro forte, amado de Maat”. Pelas proporções, a estátua completa pode ter chegado a cerca de 8,5 metros de altura.

Na mesma propriedade, a equipe identificou ainda fragmentos de uma segunda estátua real, com aproximadamente 2,4 metros de comprimento. A peça está incompleta, sem as pernas, a base e parte do nemes, o tecido listrado usado na cabeça pelos faraós, e seguirá em estudo para confirmação de autoria e função original.

O que essa descoberta revela sobre o Egito antigo e sua cultura?

As novas estátuas de Ramsés II ajudam a reposicionar a região de Gharbia na história do Egito antigo. Até agora, a imagem do país para o público — do torcedor da seleção egípcia ao curioso que busca “Egito antigo” ou “Egito bandeira” na internet — se concentrava em áreas mais célebres, como Luxor, Gizé e o vale do Nilo Médio. A aparição de colossos em um vilarejo agrícola do delta sugere uma rede mais ampla de poder, culto religioso e propaganda real do faraó.

As inscrições com títulos reais e o nome de Hórus reforçam o caráter oficial das esculturas e podem revelar mais sobre a administração do Estado, a religião e a arte do período em que Ramsés II governou, entre 1279 a.C. e 1213 a.C. A presença dessas peças em Behbeit el-Hagar pode indicar uma ligação mais estreita da área com centros políticos e religiosos da época, o que deve ser detalhado em estudos futuros.

Entenda o contexto

Ramsés II é um dos faraós mais conhecidos por quem se interessa pelo Egito antigo, seja ao pesquisar “Egito wikipedia”, seja pela popularidade do país em filmes, documentários e até nos jogos da seleção de futebol. Seu longo governo marcou a política, a arquitetura monumental e a expansão militar do Egito.

A descoberta em Behbeit el-Hagar ganha peso porque as figuras colossais eram uma espécie de cartão de visitas dos faraós junto à população: representavam poder, proteção divina e presença do rei nas cidades. Encontrá-las em um ponto do delta do Nilo pouco explorado por missões recentes abre espaço para revisar mapas de influência e possíveis rotas de culto e administração na região.

Quais são os próximos passos para a preservação das estátuas de Ramsés II?

O Conselho Supremo de Antiguidades mantém escavações em andamento na propriedade de Khalil para tentar localizar a base das esculturas e outros artefatos associados, além de consolidar os fragmentos já resgatados. As peças devem passar por limpeza, estudo detalhado das inscrições e restauração, em laboratório especializado.

Em paralelo, o governo trabalha em medidas de proteção da área para evitar saques, danos ou construções que possam comprometer o sítio. Isso inclui restringir parte do uso agrícola do terreno, o que exigirá diálogo com moradores e compensações adequadas. A expectativa é que, no futuro, o local possa ser integrado a um circuito turístico e de pesquisa, o que traria novas oportunidades econômicas para Behbeit el-Hagar.

Khalil, por sua vez, virou símbolo da colaboração entre cidadãos comuns e arqueólogos. “Fiquei surpreso e feliz quando eles descobriram mais antiguidades. Eles me disseram que isso pode mudar a história da região”, disse o fazendeiro. Em nota, o Ministério do Turismo e Antiguidades afirmou que “o ministro fez questão de que o cidadão fosse homenageado em sua vila, em sua própria terra, e entre sua família e conterrâneos, em reconhecimento a sua honestidade, conscientização e senso de responsabilidade”.

Por: Ncnews