Ler no aplicativo
Quando estreou em 2014, Os Mercenários 3 surpreendeu parte do público por um motivo muito simples: a ausência de Bruce Willis, cujo retorno era amplamente aguardado no elenco. Uma falta ainda mais evidente considerando que a franquia aposta justamente na reunião de figuras emblemáticas do cinema de ação.
Na época, a saga liderada por Sylvester Stallone tinha acabado de ultrapassar 600 milhões de dólares em arrecadação mundial com seus dois primeiros filmes. O terceiro longa chegava, portanto, cercado de altas expectativas e com um elenco ampliado.

21 de agosto de 2014
|
2h 07min
Patrick Hughes (II)
Sylvester Stallone,
Jason Statham,
Arnold Schwarzenegger
Assista no Telecine com Claro tv+
Para o novo capítulo, a produção colocou a artilharia pesada em campo. Ao lado de nomes habituais como Jason Statham, Arnold Schwarzenegger, Jet Li, Dolph Lundgren e Terry Crews, novas estrelas garantiram presença no projeto, como Harrison Ford, Antonio Banderas, Wesley Snipes e Mel Gibson.
Mas, no meio desse elenco impressionante, faltava um nome: Bruce Willis, que até então interpretava o personagem Sr. Church.
O ponto de ruptura envolvido no salário
Inicialmente, tudo parecia encaminhado para o seu retorno. No entanto, segundo informações divulgadas pelo veículo The Hollywood Reporter, as negociações foram interrompidas rapidamente.
Para reprisar o papel, Bruce Willis teria exigido cerca de 3 milhões de dólares por apenas quatro dias de filmagem. Um valor bastante alto, ao qual ele ainda teria tentado somar uma exigência adicional de mais 1 milhão de dólares. A pedida teria sido pessimamente recebida por Sylvester Stallone.
Lionsgate
A reação viral de Stallone
A tensão entre os dois atores acabou se tornando pública. Sylvester Stallone expressou sua irritação nas redes sociais ao publicar uma mensagem que se tornou famosa: “Ganancioso e preguiçoso… A melhor fórmula para o fracasso de uma carreira.”
GREEDY AND LAZY …… A SURE FORMULA FOR CAREER FAILURE
— Sylvester Stallone (@TheSlyStallone) August 6, 2013
A publicação alimentou imediatamente as discussões sobre os bastidores da produção e reforçou a reputação controvertida de Bruce Willis em alguns sets de filmagem.
Uma reputação já questionada em Hollywood
Não era a primeira vez que o comportamento de Bruce Willis virava alvo de críticas. O diretor Kevin Smith já havia revelado tensões durante as gravações da comédia Tiras em Apuros, em 2010, descrevendo o ator como uma pessoa difícil de dirigir.
Mais tarde, em 2015, Willis também acabou desligado das filmagens de Café Society, dirigido por Woody Allen, oficialmente sob justificativas de comportamento inadequado e dificuldades para memorizar falas. Na ocasião, ele foi substituído por Steve Carell.
Reconciliação tardia
Apesar dos desentendimentos passados, o tempo acabou suavizando a relação entre os dois astros. Após o anúncio do diagnóstico de demência frontotemporal de Bruce Willis em 2022, Sylvester Stallone adotou uma postura muito mais afetuosa e empática. Ele declarou na época em sua conta no Instagram: “Nós nos conhecemos há muito tempo. Desejo o melhor para você e sua maravilhosa família.”
Em seguida, durante entrevista concedida ao The Hollywood Reporter em novembro de 2022, Stallone completou: “Bruce está passando por um momento realmente muito difícil. Ele se isolou do mundo. Isso acaba comigo, é extremamente triste.”
FAME PICTURES / BESTIMAGE
Um resultado morno e uma franquia em perda de fôlego
Para além da ausência notável de Willis, Os Mercenários 3 não alcançou o sucesso esperado nas bilheterias, apesar de seu elenco estelar. Com arrecadação global de cerca de 204 milhões de dólares, o filme foi o capítulo com o menor desempenho comercial da saga até então.
A continuação não reverteu o cenário: Os Mercenários 4, lançado em 2023, acabou sendo um fracasso comercial grave, somando apenas 37 milhões de dólares em arrecadação para um orçamento estimado em 100 milhões. O fraco desempenho contribuiu diretamente para colocar a franquia de ação em hiato, ou até mesmo decretar o seu fim definitivo.
Por: Adorocinema