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Issy e Virmondes são os favoritos para presidir Alego, hoje. Nome será o que Daniel Vilela quiser

Dois nomes são apontados como favoritos hoje na briga pela presidência da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego): Issy Quinan e Virmondes Cruvinel.

Ex-prefeito de Vianópolis, Issy é do MDB. Reeleito deputado estadual, obteve votação de deputado federal: 73.433 votos.

Virmondes é do União Brasil. Reeleito com 53.821 votos. Mais votos que o último dos 17 federais goianos eleitos.

Reeleição é quase um qualificativo de entrada para a candidatura à presidência da Alego. Mais que uma tradição, funciona como regra não escrita. E elimina os novatos na Casa.

Lissauer Vieira também está na disputa. Ele tenta se viabilizar correndo pelos corredores, em campanha de pé de ouvido.

Já foi presidente. Sabe das manhas. Das vontades corporativas. Do que os colegas sempre querem. O que ele quer: voltar.

Pesa contra Lissauer o eco de outra disputa: a que acontece entre ele e Paulo do Vale.

Paulo do Vale é ex-prefeito de Rio Verde, acaba de ser muito bem eleito deputado estadual, com votação próxima à de Issy.

Acrescente outro feito: elegeu junto, no rastro de sua liderança, o filho, Lucas do Vale, deputado federal.

No geral:

Lissauer Vieira obteve 46.056 votos.

Paulo do Vale, 72.792 votos.

Lucas do Vale (federal), 126.679 votos.

Em Rio Verde:

Lucas (PSD) recebeu 54.967 votos (50,44%).

Paulo (PSD), 43.982 votos (39,64%).

Lissauer (PL), 8.460 votos (7,62%).

Paulo do Vale é da base de Daniel Vilela governador. E do PSD, partido do ex-governador Ronaldo Caiado.

Lissauer é do PL. Não se opõe ao governador. Não é da cozinha do Palácio das Esmeraldas.

A favor de Lissauer Vieira estariam os cinco votos do PL — o dele e de mais quatro eleitos. O tempo do verbo importa. Estariam.

O PL está em lua de mel com o governador Daniel Vilela desde que o governador declarou apoio a Flávio Bolsonaro presidente.

Os fatos desequilibram a balança do pró X contra.

O apoio do PL a Daniel tende a funcionar em sentido inverso ao interesse de Lissauer, por conveniência partidária. Funciona assim: os interesses de quatro X o interesse de um, no frigir das urnas.

Lissauer teria de ser candidato do PL e, ao mesmo tempo, de Daniel Vilela e Caiado, para se cacifar com apoio de governistas, e ter maioria. O que desagradaria Paulo do Vale — só pra lembrar. E basta isso.

A favor de Lissauer está (verbo no presente) ainda o atual presidente, Bruno Peixoto, recém-eleito deputado federal e presidente estadual do União Brasil.

Lissauer seria a continuidade da política adotada por Bruno na Casa. Mais de seis mil cargos distribuídos a rodo entre deputados.

Sobre esse “a favor”, portanto, há controvérsias.

Bruno Peixoto jogaria contra Daniel Vilela? Jogaria a favor, junto ou contra Ronaldo Caiado? É do União Brasil a nova senadora goiana, Gracinha Caiado.

E não dá pra esquecer o final da gestão de Lissauer no comando da Alego, ao longo do primeiro mandato de Caiado, e de Bruno na condução da presidência, com Caiado reeleito. Os conflitos deixaram marcas.

O cacife de Bruno Peixoto sem a presidência da Alego o redimensiona, e não é para mais. Seu passado como aliado não favorece o seu futuro na vida pública.

Apesar de ter conseguido 207.899 votos para deputado federal, Bruno não é visto como um vencedor. Pelo tamanho financeiro e pela estrutura que usou ao longo de quatro anos, ficou a nódoa de que a votação foi aquém do que era previsto e possível. Sobrou investimento. Faltou competência — e voto.

Bruno Peixoto obteve uma vitória eleitoral com gosto de fracasso político.

Jogo perigoso contrariar o governador em exercício e o ex que quer voltar em 2030.

Tales Barreto (UB), Wilde Cambão (UB), Charles Bento (MDB) e Romário Policarpo (Cidadania) sonham com a cadeira de presidente. Articulam nos bastidores. Conversam.

Como nem só de presidência se faz a Mesa Diretora da Alego, podem ocupar cargos estratégicos nela. A saber.

O PT tem quatro eleitos. Quatro votos. E tem como combinado interno votar unido. A tendência maior, hoje, é apoiar o candidato de Daniel Vilela. A ver.

O que o PT quer: lugar na Mesa Diretora. Assim como o PL e outros avulsos querem.

Tudo a negociar. Tarefa de casa para Issy Quinan e Virmondes Cruvinel. Para Lissauer — por que não? E para quem se habilitar. Candidatos vêm e vão ao longo das campanhas.

E ninguém estranhe PT e PL convergindo para uma só candidatura. Não há diferença ideológica nessa específica eleição. Ninguém se iluda.

Nessa pegada, surpresa zero será o PSDB apoiar o candidato de Daniel. Os tucanos estão dispostos a apoiar o candidato que tiver mais chance, aquele que “vai ganhar”. E que oferecer o que querem.

O adversário do PSDB não é exatamente Daniel. É Caiado.

Voltando aos negócios: o que não muda, porque impera, é o pragmatismo da distribuição de poderes, cargos e posições bem localizadas na Alego. A moeda de apoio é essa.

O um contra o outro dos discursos e posicionamentos fica para depois. Antes do espetáculo na tribuna, virá o pragmatismo político na eleição da nova Mesa.

Quem observa o andamento da disputa pelo comando da Assembleia Legislativa de Goiás arrisca uma certeza: o governador Daniel Vilela está 100% no controle da situação.

Isto posto, uma pergunta paira no ar.

O candidato de Daniel é o mesmo de Ronaldo Caiado? Será?

Caiado, mirando desde sempre 2030, não entrou de forma aberta na disputa da Alego. Por enquanto. Assim como Daniel.

Não é que estejam ausentes. Só não mostraram as armas e os alvos. A hora é de deixar correr, vigiando e estimulando as movimentações individuais. E esperar para ver no que isso vai dar. Aonde cada candidato vai dar conta de chegar.

A não ser que estejam pensando diferente um do outro, Daniel e Caiado vão escolher juntos o nome e bater o martelo.

Se por acaso acontecer de os dois não se entenderem sobre o nome, aí será preciso aguardar. E reparar nas consequências do que será um primeiro embate entre eles nos bastidores.

No embalo da citada certeza dos bons observadores, o próximo presidente da Assembleia Legislativa de Goiás será da base governista. Sem contestação. E será de Daniel Vilela. Será aquele que Daniel Vilela quiser, mesmo se não for o preferido de Caiado.

A data da eleição na Alego? 1º de fevereiro.

Longe?

Em eleição, longe é um lugar que não existe.

Por: Portalgo