Presidente da Federação, Mohammed Ben Sulayem argumentou que a própria família está nos Emirados Árabes Unidos e situação é segura; ainda assim, executivo destacou “bom senso” da entidade
Mesmo em meio às atuais tensões no Oriente Médio, o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, está confiante de que as corridas de Fórmula 1 no Catar e em Abu Dhabi irão acontecer.
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Devido ao conflito envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã, as corridas no Bahrein e na Arábia Saudita foram canceladas no início deste ano, embora os organizadores do Bahrein tenham efetivamente transferido o seu GP para a Malásia meses depois. Os ataques a navios no Estreito de Ormuz, atualmente disputado pelos dois lados enquanto as exportações de petróleo caíram, continuam.
Além disso, surgiu mais um conflito entre a Arábia Saudita e os rebeldes Houthi no Iemen, apoiados pelo Irã. Um ataque com mísseis ao Aeroporto Internacional King Khalid, em Riade (capital da Arábia Saudita), matou 13 pessoas. O aeroporto reabriu recentemente, com um serviço limitado após os ataques, e o Reino Unido se comprometeu a apoiar a Arábia Saudita com caças para se defender de novos ataques Houthi.
A proximidade do Catar e dos Emirados Árabes Unidos às atuais zonas de conflito fez com que as duas corridas de encerramento da temporada ficassem em dúvida, embora o CEO da F1, Stefano Domenicali, tenha afirmado há algumas semanas que manter as corridas continuava sendo o plano A. A segunda opção seria que Ímola recebesse a final caso as tensões continuassem escalando.
As conversas sobre o potencial cancelamento das duas corridas diminuíram nas últimas semanas e o campeonato parece pronto para manter as corridas do Catar e de Abu Dhabi. Na MotoGP, equipes foram informadas de que a etapa do Catar acontecerá em novembro.
Falando a veículos de comunicação selecionados, incluindo o Motorsport.com, Ben Sulayem afirmou que se sente “seguro” em relação às corridas por enquanto, explicando que não deixaria a própria família morar nos Emirados Árabes se achasse que não era seguro.
“Eles estão bem. Uma coisa que eu diria: meus filhos estão lá. Acham que eu os deixaria lá e estaria aqui agora com vocês? É preciso ser sensato nisso e perguntar: ‘Vamos ter algum problema?’ O que se lê na mídia é, na verdade, diferente do que temos lá. Nós lemos e vemos a TV, mas não temos isso. Caso contrário, por que eu ficaria lá? Por que deixaria minha família?”, falou.
“Mas isto quer dizer que nada vai acontecer? Não posso prever isso. Hoje só posso dizer que não há nada e que as duas corridas vão acontecer. Estou satisfeito. Não acho que o pessoal da FIA seja mais importante para mim do que eu próprio e a minha família; se estou lá, significa que me sinto seguro em relação a isso”.
F1 cars lined up at the start of the race
Photo by: Nicolas Economou / NurPhoto via Getty Images
“Mas não sabemos por enquanto. Como eu disse, o Dakar [Rally na Arábia Saudita], se ouvirmos alguma coisa deles, vamos nos ajustar. Quando digo deles, refiro-me à Federação de Automobilismo da Arábia Saudita e vamos analisar e ajudar”, adicionou.
“Como quando ajudamos o Bahrein, quando houve o pedido para não organizar o evento na Arábia Saudita e depois houve outra ligação do príncipe do Bahrain para transferir para a Malásia. A relação existia e isso envia uma mensagem de que, mesmo com tudo isso, ainda teremos o automobilismo”.
Ben Sulayem acrescentou que a FIA tinha medidas de contingência em vigor em caso de qualquer perturbação nas viagens, como recorrer às autoridades locais de automobilismo para quaisquer voluntários e oficiais ajudarem a facilitar a realização dos eventos.
Ele usou como exemplo a etapa libanesa do Campeonato de Rally do Oriente Médio, retomado este ano. Houve trabalhadores do Chipre, da Grécia e da Jordânia. Posteriormente, a etapa cipriota encerrou o campeonato deste ano, após o cancelamento da etapa da Arábia Saudita.
“É claro que a FIA está sempre preparada. Eu disse a eles que mantivessem outra equipe da FIA de prontidão, caso não houvesse nada acontecendo. Mas talvez alguns governos digam que vocês não podem viajar — então, o que fazemos? Se todos estiverem lá, as equipes também e a FOM estiver organizando o evento e de repente dissermos: ‘Ah, não podemos contar com nosso diretor de prova, com nossos comissários’. É preciso estar preparado e ter outra equipe pronta para o caso de isso acontecer”.
“Também temos o bom senso aqui de que nunca levaremos o nosso pessoal, pilotos ou quaisquer oficiais, para um lugar onde sintamos que é arriscado,” concluiu.
Ben Sulayem ainda acrescentou que a perspectiva do Dakar 2027 era incerta, mas sugeriu que a prova poderia ser transferido para o Marrocos se não for possível realizá-la na Arábia Saudita.
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Por: Motorsport.uol