Um grupo de 13 parlamentares dos Estados Unidos enviou, nesta quinta-feira (22), uma carta ao presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, cobrando explicações sobre suspeitas de tratamento desigual às campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais brasileiras de 2026.
O documento, que conta com a participação do senador Bernie Sanders e de deputados democratas, menciona relatos de restrições a conteúdos ligados à campanha de Lula e de maior visibilidade para publicações associadas a Flávio Bolsonaro. Os congressistas querem saber se as plataformas da Meta, responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, aplicaram suas regras de maneira equivalente aos dois candidatos.
A cobrança ocorre a três dias do segundo turno, marcado para domingo (25), e amplia a pressão internacional sobre a empresa. A Meta nega qualquer interferência política na eleição brasileira e sustenta que os problemas identificados foram falhas técnicas, sem intenção de favorecer uma candidatura.
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A carta foi articulada pela deputada democrata Pramila Jayapal, com a adesão de outros 11 deputados e do senador independente Bernie Sanders.
No documento, os congressistas demonstram preocupação com relatos de que conteúdos relacionados à campanha de Lula teriam enfrentado restrições nas plataformas da Meta, enquanto publicações associadas a Flávio Bolsonaro teriam recebido recomendações ou maior distribuição.
Os parlamentares defendem que empresas de tecnologia devem aplicar critérios equivalentes de moderação, publicidade e recomendação de conteúdo durante processos eleitorais.
A iniciativa não representa uma conclusão oficial de que a Meta tenha favorecido deliberadamente algum candidato. O objetivo declarado é obter informações técnicas para esclarecer as diferenças apontadas nas reportagens e denúncias.
Carta cita bloqueio de anúncios de Lula no Facebook e Instagram
Entre os episódios mencionados pelos congressistas está a suspensão da conta de anúncios da campanha de Lula no Facebook, registrada em 23 de setembro.
O documento também cita restrições ao impulsionamento de publicações no Instagram entre os dias 9 e 10 de outubro, período em que a campanha petista teria ficado quase 24 horas sem conseguir promover determinados conteúdos.
Segundo uma estimativa apresentada pela própria campanha e reproduzida na carta, aproximadamente 1,3 milhão de pessoas deixaram de visualizar anúncios durante esse episódio.
Os parlamentares também mencionam reportagens sobre mensagens internas de funcionários da Meta que apontariam diferenças nas restrições aplicadas aos perfis dos candidatos.
Outro ponto levantado envolve recomendações de conteúdo associadas ao perfil de Flávio Bolsonaro e a um canal de WhatsApp relacionado à sua candidatura.
Os relatos motivaram pedidos de esclarecimento, mas ainda não demonstram, isoladamente, a existência de uma decisão deliberada da empresa para interferir no resultado eleitoral.
Congresso dos EUA questiona possíveis contatos com governo Trump
Um dos pontos centrais da carta é o pedido de informações sobre eventuais comunicações entre a Meta e integrantes do governo do presidente americano Donald Trump.
Os congressistas querem saber se representantes da empresa discutiram com autoridades americanas temas relacionados ao Judiciário brasileiro, à regulamentação das plataformas digitais ou às eleições presidenciais de 2026.
Caso essas conversas tenham ocorrido, os parlamentares solicitam acesso aos registros correspondentes.
O questionamento não significa que esses contatos tenham sido comprovados. Trata-se de uma solicitação de informações para verificar se houve alguma comunicação relevante para a atuação da empresa durante a disputa eleitoral brasileira.
Meta terá prazo até 4 de novembro para responder
Os parlamentares solicitaram uma reunião técnica com representantes da Meta para sexta-feira (23), dois dias antes do segundo turno.
Além disso, estabeleceram o dia 4 de novembro como prazo para o envio de respostas por escrito.
Entre as informações solicitadas estão os critérios utilizados para restringir anúncios eleitorais, os procedimentos de revisão de decisões automatizadas e as providências adotadas para corrigir eventuais diferenças de tratamento.
O grupo também quer saber se a empresa permitirá que auditores independentes examinem dados internos relacionados à moderação e à distribuição de conteúdo político.
A proposta é verificar, por meio de informações técnicas, como as regras foram aplicadas às campanhas presidenciais brasileiras.
TSE já havia cobrado tratamento igualitário da Meta
A cobrança dos parlamentares americanos ocorre depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinar que a Meta assegurasse tratamento equivalente às candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro.
A Justiça Eleitoral passou a acompanhar denúncias envolvendo bloqueios de contas de anúncios, restrições à distribuição de publicações e diferenças no funcionamento de ferramentas de inteligência artificial.
Na terça-feira (20), a Meta informou ao TSE que havia implementado 17 medidas para atender às determinações judiciais.
Entre as providências apresentadas está a revisão humana de restrições automatizadas aplicadas às contas de anúncios das campanhas.
O objetivo é permitir a análise rápida de possíveis bloqueios indevidos, especialmente durante a reta final da eleição.
Meta nega favorecimento e atribui problemas a falhas técnicas
A Meta afirma que não direcionou suas plataformas para beneficiar Lula ou Flávio Bolsonaro.
Segundo a empresa, os episódios questionados resultaram de problemas técnicos e não representam uma tentativa de manipular a distribuição de conteúdos eleitorais.
A companhia também sustenta que incidentes semelhantes podem atingir anunciantes de diferentes posições políticas e que suas regras são aplicadas de maneira uniforme.
Em manifestações anteriores, a Meta afirmou ter corrigido falhas identificadas e reforçado os mecanismos de revisão das restrições.
A empresa mantém a posição de que não houve favorecimento político intencional.
Entidades e especialistas também cobram transparência
A iniciativa dos parlamentares ocorre após cinco organizações da sociedade civil terem solicitado, na terça-feira (20), que o Congresso americano investigasse a atuação da Meta durante as eleições brasileiras.
As entidades pediram a preservação de registros internos, esclarecimentos técnicos e a possibilidade de audiências públicas sobre a moderação de conteúdo político.
Na quarta-feira (21), especialistas ligados à Organização das Nações Unidas (ONU) também divulgaram preocupações sobre possíveis restrições desiguais nas plataformas digitais durante a campanha brasileira.
As manifestações reforçam a cobrança por transparência, mas não substituem a apuração técnica e jurídica dos episódios relatados.
O segundo turno presidencial está marcado para domingo, 25 de outubro, quando Lula e Flávio Bolsonaro disputarão a Presidência da República.
Por: Ncnews